Urgências crescem 10% no SNS e até 20% nos privados

A afluência aos hospitais está a ser bastante superior ao ano passado, com cerca de 20 mil ocorrências de urgência em dezembro só em Lisboa e Vale do Tejo. Privados batem recordes

Já não restam dúvidas de que este Inverno será particularmente trabalhoso para médicos, enfermeiros, técnicos e assistentes hospitalares. No Serviço Nacional de Saúde (SNS) , apurou o DN, o mês de dezembro registou um acréscimo de 10% ou superior das idas às urgências em várias regiões do país. E também os privados estão a notar uma procura invulgar, com ocorrências que chegam a ser superiores em 20% aos números do mesmo período de 2015.

Só na ARS de Lisboa e Vale do Tejo, de acordo com dados revelados ao DN pelo Ministério da Saúde, registaram-se em dezembro 132 214 episódios de urgência. Um número que representa quase mais 20 mil casos (19 362) do que os contabilizados no mesmo mês de 2015. A ARS Norte fechou o mês de dezembro com 169 756 ocorrências, cerca de 6700 a mais do que no ano passado. E a tendência parece ser generalizada. No Hospital de Évora, por exemplo, as ocorrências passaram de 6461 para 6830.

Num ano em que a estirpe da gripe dominante (H3N2) é particularmente virulenta, o Ministério da Saúde tomou algumas medidas preventivas, como o prolongamento dos horários dos centros de saúde, alguns dos quais também abertos aos fins-de-semana, para oferecer uma alternativa às urgências hospitalares. Mas a pressão sobre estas manteve-se alta. Não só pelos números mas também, ao que o DN apurou, porque uma parte significativa dos utentes são idosos, com quadros já frágeis que são agravados por infecções respiratórias e pela gripe, e cujo atendimento implica um maior esforço, quer em termos dos exames realizados quer da capacidade instalada, nomeadamente para internamentos.

No Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra), os tempos de espera para doentes urgentes (pulseira amarela) rondaram ontem de manhã as 13 horas. Foi uma das unidades com as urgências mais lotadas, a par dos hospitais de São João (Porto), Vila Franca de Xira e Portimão. Números que se explicam com a procura que, no caso do Amadora-Sintra, quase triplicou a capacidade instalada.

Entre o meio-dia de terça-feira e a mesma hora de hoje, segundo dados disponibilizados ao DN por este hospital, os quatro serviços de urgência totalizaram 1119 utentes em espera. O mais requisitado foi o serviço de urgência geral, com 507 doentes atendidos, serguido do serviço de urgência básica (269) e do serviço de urgência pediátrica (260). passaram ainda 83 utentes pelo serviço de urgência obstétrica/ginecológica deste hospital.

"Com uma urgência que está capacitada para receber, em condições normais, 400 pessoas [por dia], é impossível, não há milagres", defendeu ao DN Paulo Barbosa, assessor de imprensa da unidade. "Não se trata de falta de médicos: temos equipas completas. É uma questão de afluência", sintetizou.

Ao final da tarde de ontem, mantinha-se um tempo de espera para os doentes de pulseira amarela de cerca de duas horas. Uma média que se verificava (ou era mesmo superada) na maioria dos grandes hospitais do território nacional.

Recordes no privado

Nos privados, a exigência também é alta. O Hospital da Luz "está a verificar um aumento de 20% na afluência ao seu serviço de urgência", revelou ao DN fonte oficial do grupo Luz Saúde. Os dados referem-se "à última semana de dezembro", precisou. "No ano passado já se tinha verificado um aumento de 6%".

Também nas unidades CUF, do Grupo José de Mello Saúde, é registado um aumento significativo da procura das urgências. "Desde o passado mês de dezembro, o serviço de atendimento permanente das unidades CUF tem registado uma maior afluência comparativamente a anos anteriores, confirmou ao DN fonte oficial do grupo.

"De uma forma geral, os hospitais CUF em Lisboa - CUF Descobertas e CUF Infante Santo - Cascais, Torres Vedras, Santarém, Viseu e Porto têm recebido, no atendimento permanente, mais doentes, sobretudo casos de gripe", contou. "Para facilitar a informação aos doentes, a CUF disponibiliza no seu site, em tempo real, os tempos de espera do atendimento permanente das várias unidades, atualizados a cada cinco minutos".

O grupo José de Mello Saúde não avança números totais de utentes nem diferenças percentuais face a dezembro de 2015. No entanto, o DN apurou que em algumas das unidades, nomeadamente no Porto, o aumento é muito significativo.

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