"Um sonho" que não chegou a acontecer mas que mantém Vitorino na corrida

"Tino de Rans", como é conhecido, foi o primeiro das candidaturas não apoiadas por dirigentes partidários. Chegou a estar em 4.º lugar e ficou próximo do candidato do PCP

"Olha Tino, agora já apareces nas televisões", comenta Maria do Céu, a mulher e mandatária financeira de Vitorino da Silva, à medida que surgem os primeiros resultados nacionais. O 4.º lugar era algo que o candidato só em sonhos admitia. "Será que isto é um sonho ou está mesmo a acontecer", exclama, para logo observar otimista: "Quero ver as grandes cidades, o Porto e Lisboa, aí é que vai ser. Sou um candidato urbano." E, mais tarde, "Olha, igual à Maria de Belém a nível nacional. Como é possível?"

O sonho não chegou a acontecer, Vitorino Silva fixou-se no 6.º lugar, o primeiro dos "pequenos", designação que critica: "Não há pequenos nem grandes, somos todos iguais, há dez grandes candidatos." E, por isso mesmo, argumenta, a sua foi uma vitória contra a "discriminação indigna com que foram tratadas as dez candidaturas. Foi uma vergonha o que se passou nesta campanha". E foi bom aparecer por uns instantes na "Liga Europa", como designou os apoiados por partidos e/ou dirigentes partidários e que surgiam nos primeiros cinco lugares, onde se mantiveram no final destas eleições. Vitorino Silva ficou muito próximo do candidato do PCP, Edgar Silva.

Muitos aplausos na pequena sala de uma Torre das Amoreiras, em Lisboa "cedida por um amigo". Apoio em géneros como, aliás, se alimentou a sua candidatura, disse ao DN. Poucos recursos que o levaram a limitar a campanha a 12 dias, com um leque de propostas e mensagens que diz terem surgido no item "dos outros". "Tenho nome".

E agora? "Estou na política há 20 e tal anos e esta não será a minha última eleição. Não estou preocupado com o dia de amanhã, com certeza que não vou deixar de ser político. Volto ao trabalho na Câmara Municipal do Porto [calceteiro], e vou lutar para que todas as pessoas sejam tratadas com dignidade", disse aquele que já foi presidente da Junta de Freguesia de Rans, onde obteve o seu melhor resultado, mais de 60 % dos votos. A noite eleitoral acabou com mais um protesto por a sua declaração não ter sido divulgado em direto pelos audiovisuais.

Paulo de Morais registou o 7.º lugar ao fim de uma campanha que diz ter sido "gratificante", mas cujos resultados ficaram "aquém do esperado". Agradeceu a quem o acompanhou durante a pré-campanha e os últimos dias, pela ajuda "na defesa das ideias", das quais destaca o combate à comunicação.

Perante os seus apoiantes que se concentraram na sede de candidatura no Porto, autarquia onde já foi vice-presidente, concluiu: "Foi possível demonstrar ao longo destes dez meses que, sem apoios partidários, sem ligações empresariais, e quase contra tudo e contra todos, que é possível criar uma campanha baseada num conjunto de princípios que são claros."

Henrique Neto, que ficou em 8.º lugar, disse esperar que Marcelo Rebelo de Sousa "surpreenda" os portugueses como novo Presidente da República e que seja um "fator positivo da mudança profunda que o país precisa".

O industrial de Leiria, acompanhou a noite eleitoral num hotel de Lisboa, cidade onde também votou. Sublinhou a afluência dos portugueses às urnas como uma "lição de democracia". E prometeu continuar a lutar pelas suas ideias. "A desistência não é uma das minhas características principais e por isso vão continuar a ver-me por aí a criticar aquilo que tem de ser criticado e a propor ao país o que precisa que seja proposto".

O médico Cândido Ferreira ficou na sua terra, Leiria. Considerou que as "candidaturas independentes ficaram aquém das expectativas", criticando mais uma vez os partidos por "afunilarem o sistema democrático", tudo "fazendo para calar as vozes discordantes". E previu que, cada vez mais, a população portuguesa tenderá a rever-se em vozes independentes. Também ele protestou pela "forma desigual" como os dez candidatos foram tratados pela comunicação social.

Não ganhou, não o disse, mas também não o contrariou. Jorge Sequeira, o psicólogo que ficou em penúltimo lugar nas presidenciais de 2016, afirmou não ser político para dizer que ganhara. Mas lá o foi dizendo: "Comecei do zero e comecei a subir ao contrário de outros que vieram sempre a descer."

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