Uber entusiasmada com abertura "histórica" do governo

Multinacional satisfeita com a mudança de abordagem do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes que há duas semanas classificara a sua atividade em Portugal de "ilegal"

No espaço de duas semanas, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, passou de considerar "evidente" que "a Uber é ilegal" a apresentar aos representantes dos taxistas uma proposta de "modernização" do setor que abre caminho à regulamentação da atividade da empresa em Portugal. A Uber "saúda a abertura" e mostra-se disponível para participar na reforma.

"O reconhecimento pelo Governo português de que é necessário modernizar a regulação do setor e enquadrar as novas formas de mobilidade pode ser o início de um momento histórico para a mobilidade em Portugal, para os milhares de consumidores que diariamente usam a Uber para se deslocarem nas nossas cidades e para os parceiros e motoristas que encontram na Uber importantes oportunidades económicas", considera a representação portuguesa da empresa, numa resposta enviada ao DN esta quinta feira.

A multinacional mostra-se "empenhada em participar construtivamente nas conversações bilaterais agora anunciadas pelo Governo", considerando que estas contribuirão "para que os portugueses possam beneficiar com a abertura da mobilidade a novas tecnologias e modelos de negócio, através de uma regulação que tenha em conta os interesses do consumidor e as especificidades de cada serviço".

E termina dizendo acreditar que "a abertura demonstrada pelo Governo, em linha com as mais recentes posições e recomendações europeias, em especial da Comissão Europeia e do Fórum Internacional dos Transportes da OCDE, melhorará a vida dos cidadãos nas cidades, e trará mais e melhores oportunidades para todos, tanto para as formas tradicionais de transporte como o táxi, como para as novas formas de mobilidade disponibilizadas através de plataformas digitais".

A empresa não quis responder às perguntas do DN relativas ao ponto de situação do processo em que a sua atividade em Portugal foi considerada ilegal por um tribunal de primeira instância. No entanto, o Dn sabe que recurso aguarda ainda resposta do Tribunal da Relação, com a empresa a argumentar, entre outras coisas, que a ação visou a sua representação nos Estados Unidos - e não a plataforma que opera em Portugal, com sede na Holanda. E também que a empresa sustenta que algumas das atividades descritas na sentença - como o recurso a motoristas sem formação - não são praticadas no nosso país.

Esta quarta feira, recorde-se, o Ministério do Ambiente apresentou aos representantes dos táxis um programa de "modernização" do setor que inclui um pacote de investimento que pode ir dos 17 aos 22 milhões de euros, sobretudo para modernização da frota com carros híbridos e elétricos , mas também para medidas como a formação dos motoristas em regras de conduta e línguas. na mesma proposta estava, no entanto, a intenção de dar início à harmonização da regulação e do acesso ao mercado do táxi dos setores conexos, garantindo a salvaguarda do interesse público".

Os representantes dos taxistas saíram revoltados da reunião: "A resposta que nos foi dada foi: "Tomem lá 22 milhões, calem a boca, sentam-se aqui connosco no futuro e vamos arranjar forma de mexer na regulamentação para encaixar a Uber", acusou Carlos Ramos, da Federação Portuguesa do Táxi, com Florêncio Almeida, da Antral, a avisar que o setor não aceitará "moedas de troca".

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