Tribunal confirma acusações de terrorismo sobre suspeito jihadista do aeroporto de Lisboa

Gima Her Calunga teve treino com terroristas na Síria e foi apanhado numa zona interdita do aeroporto. A investigação do DCIAP e da PJ acredita que tinha ordens para cometer um atentado.

O Tribunal de Instrução Criminal pronunciou ontem Gima Her Calunga por todos os crimes descritos na acusação do Ministério Público (MP), depois de avaliar o conjunto de provas que sustentam a tese de que Calunga foi treinado e instruído para "organizar/concretizar atentados terroristas" em espaço europeu, sendo o aeroporto de Lisboa o alvo. Além dos crimes de adesão e apoio a organização terrorista, está também acusado de atentado à segurança de transporte de ar, com vista ao terrorismo, posse arma ilegal e introdução em local vedado ao público.

Gima Calunga, 29 anos, de origem angolana e com nacionalidade holandesa, entrou na pista do aeroporto da Portela e foi detetado pela segurança, com um facalhão (lâmina de 21 cm), junto a um avião da linha aérea angolana, quando este se preparava para levantar voo. Está em prisão preventiva desde julho de 2014, no estabelecimento prisional de alta segurança de Monsanto.

Calunga nasceu em Angola, de onde saiu com 16 anos. Está numa lista de suspeitos jihadistas das autoridades holandesas e proibido por estas de viajar de avião. Esteve na Síria a em março de 2014, onde terá sido treinado por terroristas do Estado Islâmico, tendo sido detido na fronteira pela polícia turca e deportado para a Holanda e abril de 2014. Chegou a Lisboa de comboio em junho de 2014, tendo ficado instalado numa residencial, perto da sede da PJ.

Na noite de dois de julho dirigiu-se ao aeroporto, levando uma faca com uma lâmina de 21 cm. Subiu uma árvore encostada à vedação da pista e introduziu-se naquele local vedado ao público. Pernoitou aí e passou todo o dia na pista sem ser detetado. Na noite do dia seguinte foi apanhado e detido junto a um avião da TAAG com a faca, tendo logo aí confessado que tinha estado na Síria.

A investigação foi conduzida pelos procuradores Vítor Magalhães e João Melo, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e executada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ.

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