Trabalho na agricultura é aposta do governo para integrar refugiados

Desde o Alentejo a Trás-os-Montes, estão em marcha parcerias com autarcas e empresários para integrar famílias refugiadas

O governo português está apostado em integrar famílias de refugiados em diversas zonas do país, ao nível do trabalho sazonal, sobretudo na área da agricultura e do trabalho rural. No final de uma visita ao Centro de Acolhimento a Refugiados de Penela, ontem de manhã, onde há três meses vivem quatro famílias da Síria e do Sudão, o ministro adjunto, Eduardo Cabrita, anunciou a intenção de "substituir gradualmente essa sazonalidade pela inclusão e fixação de famílias nas zonas em que há carência de mão-de-obra, de baixa densidade populacional".

O governante revelou que está em marcha a equação de um conjunto de ações "com autarcas e empresários, para identificar zonas-piloto" onde será possível implementar os projetos. Odemira, no Sul, e vários municípios da zona Oeste, região Centro, beira interior e Trás-os-Montes, fazem parte das cerca de cem autarquias que se manifestaram disponíveis para receber refugiados. Já na campanha eleitoral, António Costa tinha dito que os refugiados podiam ser integrados em trabalhos rurais como a limpeza de matas para prevenir incêndios florestais.

"Portugal tem o compromisso de acolher 4700 a partir da Itália e da Grécia. A chegada depende do registo feito nesses países, mas deverão chegar alguns ainda em fevereiro", disse o ministro, quando questionado pelo DN a propósito do número de refugiados que Portugal se prepara para receber a breve prazo. A esse processo juntam-se outros de cooperação direta com as autoridades turcas.

Por outro lado, está já feito o levantamento ao nível das instituições de ensino superior, que vão permitir "passar de 150 para 2000 estudantes, com alojamento e aulas de português e inglês", garantiu o ministro. A ideia é estender o projeto às escolas profissionais, "o que permitirá acolher, numa primeira fase, perto de mil estudantes".

"É preciso dar sinais de que podemos ser um país solidário mesmo em tempo de dificuldades", sublinhou Eduardo Cabrita, à hora em que o primeiro-ministro, António Costa, almoçava com a chanceler Angela Merkel, e lhe manifestava a abertura de Portugal. "Para nós é a mesma Europa: a dos investimentos e da criação de emprego; do respeito dos compromissos na área do euro como é também esta Europa da solidariedade."

Depois da língua, o trabalho

Menos de três meses depois de terem aterrado em Penela, as quatro famílias da Síria e do Sudão já são encaradas pelas autoridades nacionais como um bom exemplo de integração. Na vila existe uma boa convivência entre costumes, as 12 crianças que frequentam o agrupamento de escolas progridem na aprendizagem da língua portuguesa e alguns adultos integram cursos intensivos na Universidade de Coimbra. Falta saber como e quando poderão dar o próximo passo, rumo à independência, quando terminar o período de dez meses que vai durar este projeto.

"O que nós esperamos é que nessa altura já tenham aprendido muito bem português, absorvido muito da nossa cultura e estejam fortemente motivados para trabalhar em Portugal", disse ao DN Jaime Ramos, presidente da Fundação de Miranda do Corvo, que tutela o projeto piloto, onde se incluem as quatro famílias, num total de 20 pessoas.

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