"Temos um nível de financiamento que torna os partidos direções-gerais"

O professor universitário José Adelino Maltez considera que são necessárias as verbas públicas para os partidos, mas em contrapartida defende uma lei de responsabilização dos políticos.

A sociedade compreenderia que PS e PSD se entendessem para que haja um aumento automático de dinheiro que o Estado gasta para financiar os partidos?

A opinião pública é 100% contra.

Num momento em que ainda há necessidade de gerar mais receitas e mais impostos, é uma matéria em que os partidos deviam ter mostrado prudência?

Como se sabe eles são os donos disto e decidem o que querem...

Este estudo (ver texto pág. 12) que mostra que o financiamento público aos partidos em Portugal é bastante elevado em relação ao PIB não pode ser ignorado pelos principais partidos...

Esse estudo mostra que temos um nível de financiamento público que torna os partidos políticos em verdadeiras direções gerais ou extensões do aparelho do Estado. Setenta por cento da vida desses partidos vem desse pote. E não estão a querer reparar que a maior parte da opinião pública os considera como uns funcionários públicos. Neste aspeto o PSD e o PS são espelhos um do outro.

Se algum partido avançar mesmo para a proposta do fim do corte nas subvenções dos partidos, estará a dar um bom exemplo aos portugueses a quem ainda são pedidos sacrifícios?

Infelizmente não é um bom exemplo. Os partidos deviam ter algum pudor na questão do financiamento e mostrar que não vão beneficiar das condições financeiras atuais do país. Isto acontece porque não há uma lei de responsabilização dos políticos.

Mas considera que o financiamento público dos partidos é necessário?

Deve haver financiamento, mas em troca devia também haver uma lei que responsabilizasse os políticos pelos seus atos e os partidos pelos erros dos seus políticos passíveis de serem penalizados. Diz-se que há partidos que estão numa situação financeira dramática. E isso acontece por má gestão. Mas quem vai pagar é o povo. Esta situação contribui para o descrédito da política e dos políticos. É a gangrena do Estado e um abuso de poder da representação política dos cidadãos por parte do PS e do PSD.

Espera que o Presidente da República tenha alguma intervenção nesta matéria?

Segundo as contas da campanha presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa foi o que gastou menos, até porque teve um investimento anterior de 30 a 40 anos. Tanto é mau este esquema, do aumento das subvenções, como é mau o contrário. Dessa forma estaremos a criar uma democracia onde só os ricos se poderão candidatar a um qualquer lugar. Deve haver financiamento público dos partidos, mas também tem de haver responsabilização e controlo efetivo.

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