"Símbolo de glamour e classe"

O estilista Miguel Vieira, que nasceu e cresceu em S. João da Madeira, fala da tradicional indústria chapeleira da sua cidade

Concorda que o chapéu é uma peça de roupa que ao longo das últimas décadas saiu de moda em Portugal?

Nasci, cresci e pago os meus impostos em São João da Madeira, que tem uma enorme tradição na indústria chapeleira - aliás, ainda hoje tenho família que trabalha ligada ao setor. Há muitos anos, na época do meu avô, qualquer homem não saía à rua sem levar um chapéu na cabeça. Uma das memórias que tenho da infância é precisamente a de ver nas ruas da minha cidade todos os homens de chapéu. Guardo essa imagem de miúdo, muito bonita e delicada. Ao longo das últimas décadas o chapéu tem caído em desuso, mas a produção e a exportação que existe por cá mostra que noutras partes do mundo não é de todo assim.

Em sua opinião o uso de chapéu é um statement?

O chapéu, em particular aquele chapéu tradicional de São João da Madeira, que os homens usavam, era e continua a ser um símbolo de glamour e classe. Além do ar de gentleman que dava a quem o colocava na cabeça, era uma forma de mostrar algum estatuto também. A afirmação que esta peça de vestuário implica faz que seja bastante usada na moda. Há excelentes designers de chapéus e estilistas que se dedicam a criações mais contemporâneas.

Apresenta também chapéus como propostas nas suas coleções?

Precisamente. Em janeiro, na apresentação da minha coleção inverno 201-19 na Fashion Week de Milão - em que assinalou os trinta anos de carreira - apresentei algumas propostas com homens a desfilarem de chapéu.

E o Miguel Vieira, no seu quotidiano, usa chapéu?

Não, por um motivo simples: fico com dores de cabeça ao fim de algum tempo sempre que coloco na cabeça nem que seja um boné. Mas dava-me muito jeito usar chapéu, por vezes, já que rapo o cabelo e no inverno acabo por sentir muito frio na cabeça [risos]. Mesmo não usando, gostava que o uso de chapéu ressurgisse no quotidiano.

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