Ser alternativa, comunicar e unir. Desafios não faltam

Rui Rio terá de ser integrador para evitar desgaste no partido. E trabalhar no equilíbrio certo entre a oposição, o governo e os consensos

O resultado que Rui Rio conseguiu para ser o timoneiro do PSD mede o que tem de fazer dentro do partido para não ser um líder em constante sobressalto. Ganhou com 54% dos votos, contra 45% de Santana. Ou seja, ficaram separados por nove pontos, o que não lhe dá uma vitória tão folgada que possa prescindir de criar pontes com muitos dos que estiveram do outro lado da barricada. Ele próprio no discurso de vitória, e verdade seja dita já antes o tinha dito, falou em "unir" o partido.

Rui Rio terá de fazer pontes e compromissos não só com os que estiveram com Santana Lopes, mas também com outras tendências do partido. E há várias. Marques Mendes, que já esteve no lugar que Rio agora ocupa, disse ontem na SIC que "um líder forte é um líder magnânimo e com espírito integrador". Marques Mendes até lembrou o exemplo de Pedro Passos Coelho que convidou para número um do Conselho Nacional o seu adversário Paulo Rangel.

Outro desafio que se coloca ao novo líder social-democrata é o da comunicação. Apesar de ter tido uma vasta experiência enquanto presidente da Câmara do Porto, Rui Rio vai confrontar-se agora com uma pressão acrescida da comunicação social, já que será o principal rosto da oposição ao governo. Alguns dos que lhe são próximos admitem que este não é um dos campos em que esteja mais à vontade e lembram que o facto de muitas vezes defender o "politicamente incorreto" não só provoca desgaste como agiganta a pressão. Maior ainda perante um líder do PS que é mestre na arte de comunicar.

Construir a alternativa

A alternativa de poder ao governo e à frente de esquerda que prometeu ao partido terá de ser gerida num equilíbrio delicado. Por um lado, fazer uma oposição forte, mas contrabalançá-la com os consensos a que se mostrou aberto para as reformas no país, sem deixar que a identidade do PSD se dilua nesse processo ou que o governo socialista saia ainda mas reforçado desse diálogo.

Nesta equação da alternativa e da firmeza na oposição entra o grupo parlamentar do PSD, que será o rosto do partido na Assembleia da República, já que Rui Rio não é deputado. Mobilizar o grupo parlamentar, apesar de ter sido desenhado por Pedro Passos Coelho, não deverá ser uma tarefa muito difícil. Mais complicado é encontrar o líder parlamentar com capacidade de fazer frente ao primeiro-ministro e aos partidos à esquerda e destacar-se do outro partido da oposição, o CDS, que tem presidências fortes, tanto na direção nacional como no grupo parlamentar.

O atual líder parlamentar, Hugo Soares, escolhido há pouco tempo para o cargo, apoiou Santana Lopes e é pouco provável que seja ele a desempenhar este papel. O nome do ex-secretário de Estado e deputado António Leitão Amaro como potencial líder parlamentar de Rio Rio já começou a rolar. José Eduardo Martins foi o primeiro a colocar essa hipótese. Mas também há um nome que poderá agradar ao novo líder para desempenhar esse papel, o do antigo ministro da Presidência, Luís Marques Guedes.

Seja qual for a opção a nível parlamentar, Rui Rio tem de gerir até ao congresso de 16 a 18 de fevereiro, no qual será entronizado líder do partido, as escolhas, constituir a equipa com que irá trabalhar na alternativa. Para chegar ao congresso, em que tudo aponta para que a maioria dos delegados até foram eleitos em listas mais próximas de Santana Lopes, e ter já meio caminho andado na união do partido.
A relação com o Presidente da República, que criticou durante a campanha por ter recebido o adversário em Belém, é outra das tarefas delicadas de Rui Rio.

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