Sargentos vão fazer vigília de protesto em frente à residência do primeiro-ministro

Vigília foi decidida em meados de junho, antes do furto de material militar em Tancos

A Associação Nacional de Sargentos vai manifestar-se na próxima quarta-feira à porta da residência do primeiro-ministro. A vigília foi decidida em meados de junho, antes do furto de material militar em Tancos, com o objetivo de alertar o chefe do Governo para o estado em que se encontram as Forças Armadas. O objetivo é "chamar a atenção da tutela" para os problemas que "se arrastam" na condição militar.

"Mantivemos o alerta com os sucessivos governos e, infelizmente, prova-se agora que tínhamos razões para estar preocupados", disse ao semanário o sargento-mor António Lima Coelho, diretor do jornal "O Sargento", órgão oficial da Associação Nacional de Sargentos (ANS). Em causa, a redução de efetivos e de investimento nas Forças Armadas.

Lima Coelho disse ainda que nos últimos anos "tem sido o descalabro" e que não é possível continuar a "fazer omeletes sem ovos". Assim, na próxima quarta-feira a ANS tenciona entregar a António Costa um documento sobre a falta generalizada de condições para o cumprimento das missões.

Em comunicado esta quinta-feira divulgado, a ANS refere que a vigília, decidida há um mês, decorrerá a partir das 17:30 junto à residência oficial do primeiro-ministro, em S. Bento.

Entre os motivos deste protesto estão a "falta de mecanismos de assistência social", de "assistência na doença" aos militares deslocados e "preocupações" face às "gravosas consequências" do Estatuto dos Militares das Forças Armadas publicado em 2015, refere o comunicado hoje divulgado.

O protesto ocorre dois meses depois da passagem à comissão parlamentar de especialidade, sem votação, de um projeto de lei do PCP para alterar aquele diploma.

"Passam 60 dias e tanto quanto sabemos só as associações de militares foram ouvidas. Arrastam-se os problemas, é preciso tratar das coisas", disse o sargento-ajudante Mário Ramos, em declarações à Lusa.
A ANS refere também "continuadas injustiças motivadas por um sistema remuneratório desigual e discriminatório sempre em prejuízo das patentes mais baixas".

Os "deslocamentos inesperados" de militares, que "muitas vezes são confrontados com condições de alojamento e alimentação nada compatíveis com a missão que desempenham" é outra queixa da ANS.

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