Santos Silva identifica "riscos sérios" para integração europeia

Ministro dos Negócios Estrangeiros falou de ameaças ao projeto europeu

O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que a Europa corre "riscos sérios", que ameaçam o projeto de integração. A falar em Bruxelas, no final da reunião que juntou os 28 ministros da União Europeia, o ministro afirmou que a União tem todas as capacidades para reagir às várias ameaças, mas não esconde que há "risco de desintegração".

"Em primeiro lugar o risco de se renacionalizar as políticas e europeizar os falhanços e esse é um risco de desintegração, que devemos considerar", admitiu o ministro, nomeando ainda "um segundo risco" que é "a maior influência que todos sentimos nos nossos sistemas políticos e nas nossas opiniões públicas por parte de forças ou ideias populistas".

"Em terceiro lugar há o risco de se poder cavar ainda mais a distância entre a cidadania e o quadro institucional europeu por incapacidade de resposta a necessidades que os cidadãos vivem como suas", afirmou.

O ministro considera, porém, que a Europa será capaz de lidar com as várias ameaças, já que "tem todas as possibilidades e tem todas as capacidades, para reagir a estes riscos contrariá-los e vencê-los".

No entanto, "se a questão é saber se nós hoje corremos riscos e o projecto de integração europeia corre riscos a resposta é sim. E, riscos sérios", disse o ministro, no final de uma reunião que justou ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 países da UE.

Trump

Esta manhã o ministro tinha já comentado as mais recentes declarações do presidente eleito dos Estados Unidos, em matéria de imigração. Santos Silva considerou que as leis de imigração são um assunto "interno" dos EUA, não antevendo qualquer problema em relação aos portugueses residentes na América.

"Não, não julgo que haja nenhum problema. A comunidade portuguesa nos Estados Unidos está muito bem enraizada. O contributo dessa comunidade para a economia e sociedade norte-americana é reconhecida por todos, por isso não antecipo nenhuma dificuldade", afirmou.

Santos Silva participou num jantar informal com ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, convocado pela Alta Representante para a Política Externa e de Segurança, Federica Mogherini, para debater o futuro do relacionamento transatlântico, após a vitória de Trump.

O ministro português afirmou que a vontade de toda a UE é "trabalhar em conjunto numa agenda comum" para reforçar a cooperação que já existe entre os dois aliados. "Os Estados Unidos são um aliado muito forte e muito próximo da UE, e nós devemos trabalhar para consolidar a agenda comum", disse, nomeado vários pontos da referida agenda comum.

"Os desenvolvimentos necessários no que diz respeito à aplicação do acordo de Paris sobre alterações climáticas; os passos necessários no que diz respeito à implementação dos objetivos do desenvolvimento sustentável, a chamada agenda 2030, e também naturalmente as negociações que estão em curso relativamente ao tratado de comércio livre", disse.

"No quadro da Nato, há também muito trabalho a fazer, sendo que uma das conclusões da cimeira de Varsóvia da Nato foi a assinatura de uma declaração conjunta entre a UE e a Nato no sentido de incrementar a cooperação entre as duas organizações", afirmou Santos Silva, manifestando "muito" interesse "em aplicar essa declaração".

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG