Santana diz que a sua relação com o PSD acabou. "Mas acabou mesmo"

Ex-primeiro-ministro deixa no ar a possibilidade de criar uma nova força política

"A minha intervenção política não se fará mais dentro do PSD. Isso acabou. É uma relação que acabou". A garantia é de Pedro Santana Lopes, em entrevista à revista Visão que será publicada esta quinta-feira.

O ex-primeiro-ministro garante que vai deixar o PSD, partido com o qual admite ter uma "relação de amor espantosa", e até utiliza uma imagem conjugal para definir como está esse relacionamento: "Se quiserem, deixámos de viver juntos", afirma no excerto esta quarta-feira avançado pela Visão.

Santana acrescenta que "não é fácil lidar com essa realidade", mas garante que "isso acabou". E para quem tenha dúvidas da certeza do antigo líder social-democrata, acrescenta: "Mas acabou mesmo"

Assegura que esta decisão de 'romper' com o PSD "nada tem a ver com Rui Rio", a quem deseja felicidades. No entanto, aponta uma aproximação "incontestável" do PSD ao PS e diz temer que se esteja perante um cenário político de "hegemonia do PS" e "balanceado à esquerda", com consequências negativas em matérias fraturantes como a eutanásia.

No ar fica a possibilidade de prosseguir a vida política num novo partido ou organização: "Eu não desisto de lutar pelo meu país. Agora tenho de ver qual é o melhor modo" de o fazer, diz.

Considerando que "os partidos não são clubes de futebol - nós do clube de futebol somos para sempre, a não ser que acabe", Santana não vê qualquer problema em cortar relações com o partido em que milita há mais de 30 anos. Isto porque "um partido político é um instrumento de organização e expressão de vontade popular. É um meio".

Santana Lopes recusou um convite para assumir a Comissão de Gestão do Sporting

Daí já várias vezes ter pensado, reconhece, "se calhar era melhor fazer uma organização partidária em que eu possa mais à vontade ter a intervenção política que acho que devo ter".

Na entrevista que irá para as bancas esta quinta-feira, são também abordados temas como a situação do Sporting - sobre o qual confirma ter recusado um convite para assumir a Comissão de Gestão.

Outro tema abordado é a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio, algo que começou a ser discutido quando liderava aquela instituição. "Eu nunca fui a favor nem contra a entrada da Santa Casa no Montepio. Mandei estudar. E tive todas as entidades do Estado a pedirem-me para que a Santa Casa entrasse no Montepio".

"Senti o Estado todo ele empenhado em que houvesse a possibilidade de a Santa Casa entrar no Montepio", relatou.

Com Lusa.

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