Ryanair admite recorrer a tripulantes de fora de Portugal

Companhia aérea diz que pode haver amanhã perturbações nos voos mas avança que, se necessário, recorrerá a aeronaves e tripulantes de bases fora de Portugal. Afirma que a greve é convocada por funcionários da concorrência

A Ryanair admite, se necessário, recorrer a tripulações de outras bases fora de Portugal para assegurar os voos previstos amanhã nas suas quatro ligações nacionais: Porto, Lisboa, Faro e Ponta Delgada. A companhia aérea, em posição oficial transmitida ao DN, diz que pretende operar o horário completo, mas admite perturbações e cancelamento devido à greve dos tripulantes de cabine.

"Esperamos operar o nosso horário completo, se necessário, com recurso a aeronaves e tripulação de cabine de outras bases fora de Portugal. Apesar de não esperarmos que muitos dos nossos elementos de tripulação de cabine adiram a esta greve, não podemos descartar a possibilidade de perturbação na nossa operação, e iremos contactar todos os passageiros afectados na quarta-feira, dia 4, por email e SMS", lê-se no comentário oficial da Ryanair.

Entretanto, o Governo já veio assumir que poderá punir a empresa:

A empresa baseada na Irlanda reage assim às acusações de ilegalidades no recrutamento de outros tripulantes para substituir os portugueses em greve, como tem denunciado o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e que já mereceram a atenção da Autoridade para as Condições do Trabalho que adiantou estar a averiguar a situação. Segundo o sindicato, a Ryanair tem previstos amanhã 45 voos em Portugal.

A forma como a Ryanair vê a greve e o próprio SNPVAC é também abordada neste comentário oficial. "Fomos notificados da possibilidade de greve por alguns elementos de tripulação de cabine em Portugal na próxima quarta-feira (04 de Abril), que foi organizada e convocada por elementos da tripulação de cabine da TAP, Easyjet e SATA. Já entrámos em contacto por escrito com os tripulantes de cabine da Ryanair em Portugal solicitando-lhes que coloquem os nossos clientes em primeiro lugar e ignorem esta ameaça de greve", diz a companhia de voos low-cost, para quem "esta ameaça de greve é absolutamente desnecessária considerando que a Ryanair já enviou ao sindicato um acordo de reconhecimento sindical assinado e concordou reunir-se com este organismo em Dublin no dia 9 de abril".

A Ryanair acaba a pedir o apoio dos funcionários contra o que define como uma greve organziada pela concorrência. "Esperamos que os nossos tripulantes de cabine não permitam que elementos de tripulação de companhias aéreas concorrentes perturbem os planos dos clientes Ryanair e respetivas famílias durante esta período de férias de Páscoa bastante movimentado."

A transportadora aérea também garante, noutra comunicação enviada aos funcionários, que os tripulantes de outras bases fora de Portugal não correm qualquer risco de sanções legais se vierem operar em Portugal. "Não devem estar preocupados de maneira alguma sobre as falsas alegações [de sanções]: a empresa apoia os nossos funcionários a 100%. Há risco zero que algum tripulante perca a sua licença de voo ou identificação do aeroporto", lê-se num memorando datado de hoje e enviado aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso.

No plano político, a Comissão Europeia escusou-se a comentar os problemas da greve da companhia aérea Ryanair, considerando que se trata de um assunto de âmbito nacional.

Amanhã é o último de três dias intercalados de greve dos tripulantes de voo da Ryanair de Portugal.Em causa está o cumprimento de regras previstas na legislação nacional como a parentalidade, garantia de ordenado mínimo, bem como a retirada de processos disciplinares por motivo de baixas médicas ou vendas a bordo abaixo dos objetivos da empresa.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG