Rui Rio marca terreno para suceder a Passos Coelho

Ex-autarca do Porto diz que será "difícil" ao atual líder vencer as próximas eleições. Falta a "novidade" e a "esperança"

Rui Rio marcou ontem terreno para suceder a Passos no PSD, embora não esteja nos planos do ex-autarca desafiar o líder do partido a curto prazo. Numa Quadratura do Círculo especial, no âmbito dos 15 anos da Sic Notícias, no Porto, Rio disse ontem que "é evidente que Passos Coelho vai ter dificuldades em ganhar a próxima eleição. Se for ele o líder do PSD, vai ter uma dificuldade muito maior do que teve há 4 ou 5 anos, porque era uma novidade".

Ora, as declarações de Rui Rio sugerem que, com outra figura que não Passos (o próprio está na reserva para a sucessão) seria mais fácil ao PSD vencer o próximo escrutínio. "Quando alguém vai para eleições já tendo estado no poder, não consegue com facilidade a janela de esperança", defendeu o ex-autarca.

Quanto a um entendimento de regime entre PS e PSD também aí poderia ser útil Passos sair de cena. Para Rio "é evidente que é mais fácil um entendimento do que se forem essas duas pessoas [Passos e Costa]. Ou pelo menos um dos dois. Porque se guerrearam e foram adversários".

Rui Rio aponta assim duas vantagens do atual líder sair de cena: seria ao PSD mais fácil entender-se com o PS e ganhar as próximas eleições caso Passos Coelho não fosse o líder do partido.

Também Rui Nunes - do fórum Uma Agenda para Portugal, grupo que defendeu uma candidatura de Rio ao PSD e defende primárias - diz ao DN que "está na hora do PSD se redefinir e reinventar ideologicamente", deixando o "projeto político com o CDS" e "centrando-se na social-democracia".

Rui Nunes não tem "dúvida nenhuma" que Rui Rio seria a figura "mais bem posicionada" para personificar essa mudança no partido.

Já um dirigente do PSD, ouvido pelo DN, desvaloriza as palavras de Rio: "Fez essas declarações para manter-se à tona. Rio não vai desafiar Passos. Sabe que se o fizesse, perdia e perdia bem". Até o próprio Rui Nunes diz que "este não é ainda o momento" de desafiar a liderança do PSD, pois o Congresso do PSD é já a 1,2 e 3 de abril.

Rui Nunes acrescenta, no entanto, que caso António Costa tenha sucesso no governo e Passos se desgaste na oposição "é natural, óbvio e até desejável que essa evolução para a social-democracia seja assumida por outros rostos. E que venha um apelo da sociedade civil e do próprio PSD para que surjam alternativas. Rui Rio seria o favorito de ambas".

Uma outra fonte próxima do ex-autarca, é mais contido, mas não descarta hipótese: "Rio não vai já a jogo. Além do risco de desafiar Passos, o que ganhava em estar dois ou três anos na oposição? Até acredito que vá ao partido, mas é se Passos começar a cair muito."

Passos sem grande oposição

No último Conselho Nacional (10 de dezembro) foram aprovadas diretas (e congresso) no partido. Se algum militante do PSD quiser desafiar Passos Coelho tem apenas até 2 de março para o fazer (as eleições são no dia 5).

Até lá, o líder continuará com grande apoio junto das bases, pelo que a vitória deverá ser tranquila e sem grande oposição. Além disso, não há tempo para nenhum opositor (com possibilidades de vencer) se organizar.

A atual direção do PSD espera, aliás, que Passos seja reeleito com uma ampla votação, reforçando a legitimidade do líder no partido.

Outro dos sinais que se espera do congresso é perceber se Passos Coelho prepara a sua sucessão. Fonte social-democrata comentou ao DN que "será curioso perceber quem é que Passos vai escolher para vice-presidentes. Isso vai ser essencial para perceber quem apoia na sua eventual sucessão. Chamará Luís Montenegro para vice-presidente do partido? E se o fizer com Maria Luís Albuquerque?"

Além de Rui Rio, Luís Montenegro é apontado como potencial sucessor de Passos , bem como a ex-ministra das Finanças (embora não tenha força junto das bases). Há ainda José Eduardo Martins que - mesmo sem assumir que seria candidato a desafiar Passos - em março de 2015 disse ao DN: "A seguir às legislativas não me demitirei de defender as minhas convicções e de dar as minhas opiniões no partido".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG