Rio escolhe equipa à medida das suas batalhas políticas

A escolha de Elina Fraga, ex-bastonária da Ordem dos Advogados, para vice-presidente do PSD foi a surpresa da noite.

O núcleo duro de seis vice-presidentes que Rui Rio escolheu para integrar a sua Comissão Permanente reflete aquelas que vão ser as prioridades anunciadas para a sua batalha política nos próximos tempos.

David Justino, autor da sua moção estratégica e antigo ministro da Educação, para a mesma área; Nuno Morais Sarmento, ex-ministro de Durão Barroso e mandatário nacional da campanha de Rio, para a estratégia da ação política e governação; Manuel Castro Almeida, amigo de longa data de Rio, ex-presidente da Câmara de São João da Madeira e ex-secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, ficará com a pasta da descentralização; Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar e que foi o diretor da campanha de Rui Rio, poderá ser o elo de ligação com as autarquias e o poder local; Isabel Meirelles, jurista e especialista em direito europeu, poderá ficar com as matérias internacionais; Elina Fraga, ex-bastonária da Ordem dos Advogados, será a operacional de Rui Rio para a reforma da Justiça.

O nome de Elina Fraga foi o que causou maior surpresa e, ao mesmo tempo, uma onda de desagrado na sala do congresso, principalmente entre os "passistas", que lembravam as ferozes críticas da advogada em relação à governação do PSD na área da justiça, tutelada por Paula Teixeira da Cruz. "Basta googlar Elina Fraga + PSD e é fácil ver o seu pensamento nos últimos anos em relação ao PSD. Fico triste com a escolha", admitiu Hugo Soares, o ainda presidente do grupo parlamentar.

Elina Fraga era considerada a verdadeira "oposição" ao PSD neste setor e apresentou mesmo uma queixa-crime contra todos os membros do governo PSD-CDS por atentado ao Estado de direito, ao terem aprovado o mapa judiciário. Ao Observador, Paula Teixeira da Cruz lamentou que "todos aqueles que criticaram e atacaram Pedro Passos Coelho e o seu governo nas horas mais difíceis estão agora a ser premiados". E acrescentou: "Esse prémio tem nome: chama-se traição."

"É uma escolha que reflete na perfeição a consideração e o respeito que Rui Rio tem por tudo aquilo que o governo de Passos Coelho lutou e conseguiu", ironizou Carlos Abreu Amorim, deputado que tem a pasta da justiça. Mais compreensivo é Carlos Peixoto, apoiante de Rio e coordenador do PSD na 1ª Comissão: "Trata-se de uma personalidade ligada ao mundo do direito e judiciário e representa uma mais-valia para a direção do partido", assinala. E as críticas que fez ao PSD? "Estamos num ciclo novo", sublinha.

Consensuais entre santanistas e rioistas continuam a ser, pelo menos aparentemente, nomes como o de Fernando Negrão, que se candidatou à presidência da bancada parlamentar; Paulo Mota Pinto, que encabeçou a comissão de honra da campanha de Rio, para presidente da mesa do congresso; Almeida Henriques, mandatário de Santana Lopes, para ser número dois; Feliciano Barreiras Duarte para secretário-geral.

Em contrapartida, este equilíbrio para a "união" que Rio quer ver no partido não estava a ter o mesmo efeito nas bases. À hora do fecho desta edição, havia pelo menos 11 distritais (entre 18) em "guerra" com o novo líder, a contestar o facto de não haver nomes das suas estruturas na comissão política nacional: Porto, Vila Real, Setúbal, Viana do Castelo, Beja, Évora, Algarve, Bragança, Coimbra, Santarém e Viseu.

Pedro Alves foi um destacado apoiante de Rui Rio na campanha interna em Viseu, onde o presidente eleito venceu com 65% dos votos. Aos jornalistas, manifestou estranheza por não ter sido ainda contactado para garantir a representatividade do distrito nas listas aos órgãos nacionais do partido.

"As listas não são necessariamente um negócio, as listas têm de ser elaboradas com critérios de natureza política e para dar sinais políticos, aqui resumiu-se a um negócio", lamentou, referindo-se ao acordo entre Rio e o candidato derrotado nas diretas, Pedro Santana Lopes, para listas de unidade aos órgãos nacionais.

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