Rangel: Costa devia estar calado sobre a dívida

Paulo Rangel criticou esta terça-feira o primeiro-ministro português por ter admitido que vai esperar pelas eleições alemãs para colocar a discussão da dívida pública portuguesa na agenda da União Europeia.

O eurodeputado social-democrata e vice-presidente do PPE considerou que António Costa "faz muito mal" em colocar o assunto desta maneira e particularmente num momento em que os juros da dívida portuguesa sofrem pressão. "Devia ser categórico a afastar isso", disse.

Rangel enquadrou as palavras do chefe do Executivo na política interna: "Costa estava a falar na sua cozinha doméstica de todos os dias, aos parceiros de governo, e depois do congresso do PCP que pôs imensa pressão nesse sentido".

O eurodeputado do PSD referia-se ao congresso comunista do fim de semana, que decorreu em Almada, e durante o qual a renegociação da dívida e até a defesa da preparação da saída de Portugal do euro foram centrais. "Esta navegação à vista não tem dado bons resultados na Europa", sustentou.

A banca como travão

À margem de uma conferência sobre a influência da eleição de Donald Trump nas relações com a UE, Rangel considerou que o maior problema da União é o do sistema bancário que, na sua opinião continua muito instável sobretudo em Portugal, Itália e Alemanha. "Durante a crise nos Estados Unidos foi dos primeiros problemas a ser resolvidos, assim como na Irlanda e até em Chipre", lembrou o eurodeputado, numa conversa com jornalistas portugueses.

Entende que se a Europa estivesse empenhada em resolver o problema bancário, isso ajudaria a alavancar o crescimento económico. "A união bancária tem de ser termina e ainda não foi porque a Alemanha não quer", afirmou. Mas também ele reconheceu - dando em parte razão a António Costa - que antes das eleições alemãs em 2017, a disponibilidade da Alemanha para encetar reformas é muito reduzida "O ano crucial é o de 2018 para reformas importantes".

A agitação política em Itália, com a demissão do primeiro-ministro, Matteo Renzi, na sequência da vitória do "não" no referendo à reforma constitucional, também poderá vir a desencadear uma nova crise grave na Europa, defende Paulo Rangel. Não só a banca italiana está numa situação muito frágil, como há uma "cavalgada" dos movimentos populistas italianos - Liga Norte e Movimento 5 Estrelas - poderá conduzir a uma subida de juros na zona euro e a uma crise sistémica e da banca.

Os problemas da Europa só se "resolvem com crescimento e investimento" defendeu Paulo Rangel.

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