"Que a Make-A-Wish chegue a todas as crianças elegíveis"

Mariana Carreira confessa que o seu sentimento é de gratidão pela "missão" que tem. O "sorriso das crianças vale tudo", diz a diretora executiva da Make-A-Wish Portugal

Sem utilizar as palavras-desejos, como definiria a Make-A-Wish?

É um caminho que é percorrido com o foco em cada criança, com o intuito de levar força, alegria e esperança. Temos o objetivo de possibilitar a maior alegria possível e, por isso, vamos ao encontro da forma de pensar e sentir das crianças, nesta experiência inesquecível, aliando aquele que é o trabalho da Make-A-Wish com a criatividade das crianças, enriquecendo de emoções e recordações positivas todas as partes envolvidas.

Como sobrevive a empresa?

A Make-A-Wish realiza desejos a crianças e jovens através de donativos de empresas e particulares.

Os portugueses são generosos?

Sim, os portugueses são generosos, muito generosos. Gostam de se envolver em causas, gostam de sentir o impacto transformante do seu donativo. Todas as entidades que apadrinham desejos são convidadas a envolverem-se no desejo, a estarem presentes sempre que tal não retire a força e o impacto da realização do desejo na criança e na sua família. Caso não possam presenciar a realização do desejo, a Make-A-Wish envia uma foto ou um testemunho da realização do desejo. É uma forma de todas as partes estarem envolvidas e é algo a que damos muito valor.

Os donativos recebidos permitem realizar todos os desejos que são solicitados anualmente? Ou seja, há mais desejos do que dinheiro?

Todos os desejos têm um padrinho - empresa ou um particular ou um conjunto de particulares - que tornam o desejo realidade. Todos os desejos são realizados desde que as condições de saúde das crianças o permitam e a operacionalização do desejo esteja concluída. A Make-A-Wish tem doadores/padrinhos e parceiros que participam e se envolvem ativamente na realização do desejo, permitindo que todos os desejos possam ser realizados e possibilitando um funcionamento equilibrado e profissional da instituição.

Dá lucro ou prejuízo?

Aqui não se pode falar em lucro. Temos fundos e apoios suficientes para realizar os desejos das crianças e jovens que se encontram a aguardar a realização do seu desejo. Todas as semanas recebemos novas candidaturas, pelo que, em média, temos de forma permanente aproximadamente 150 desejos por realizar.

Qual foi o desejo mais inesperado de que se lembra?

De uma criança que tinha como desejo ir à praia pisar a areia e ver o mar.

Como foi tabelado o valor dos desejos, 1200 os nacionais, 2400 os internacionais?

Os custos dos desejos são muito variáveis, há desejos mais caros do que outros. O desejo é sempre realizado com o agregado familiar, independentemente do número de pessoas que o constituem. É sempre formulado pela criança, é o seu desejo. Temos uns que são muito superiores aos 1200euro ou 2400euro e temos outros que têm um valor inferior. Assim, baseado em custos reais dos anos anteriores, apurámos esse valor.

Quantas pessoas trabalham na organização?

Atualmente, trabalham seis pessoas, mas temos o privilégio de contar com mais de 300 voluntários que diariamente ajudam.

E qual é o sonho que a Mariana gostaria de concretizar?

Que todos os portugueses conhecessem a Make-A-Wish, o que iria permitir chegar a todas as crianças elegíveis e realizar o desejo de todas.

Como é que uma gestora aparece numa empresa?

Sempre gostei de trabalhar com pessoas e para pessoas. Acredito e tenho como frase inspiracional para a minha vida, a de um padre jesuíta, Pedro Arrupe: "Não me resigno que quando morrer o mundo continue como se eu não tivesse vivido."

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