Quase 600 projetos disputam três milhões de euros

Votação começa hoje. E é na Cultura que mais propostas foram apresentadas. O DN apresenta-lhe quatro projetos

São 595 projetos que a partir de hoje vão a votos no Orçamento Participativo Portugal (OPP) - até final de agosto. Para a concretização destes projetos serão disponibilizados três milhões de euros do Orçamento do Estado de 2017.

Entre as quase seis centenas de propostas, em seis áreas, a cultura leva a palma: são 285 projetos que vão a concurso nas sete zonas geográficas do país. Miguel Ginja teve uma "ideia do catano", nome com que batizou a sua proposta, que pretende dinamizar "pequenos espaços públicos como jardins ou coretos, menos concorridos, organizando concertos de jovens bandas".

O funcionário municipal, de 44 anos, notou ao DN que já há muito que tinha esta ideia, mas "as verbas não abundam". O OPP acabou por ser a oportunidade de avançar com a proposta. "Estive numa formação e falaram-me do OPP e fui dar uma vista de olhos ao site", recordou.

Miguel Ginja participou numa das sessões de esclarecimento e acabou por dar forma à ideia que já alimentava há muito. "Optei por tentar a minha sorte." A dele - e a de "bandas de garagem": "Não há espaços para as divulgar e pouco se faz em espaços, como coretos." "É uma proposta que pode ser replicada noutras cidades", argumentou.

Luísa Coelho, 54 anos, que elaborou uma proposta de "melhor cultivar para melhor comer", na área da agricultura, também imagina a sua proposta a ser aplicada na freguesia de onde é originária, Valongo do Vouga, Águeda, como numa freguesia de Lisboa ou Porto.

"A ideia é construir jardins agrícolas que respeitem os ciclos naturais, pegar na agricultura e trazê-la para espaços urbanos mal aproveitados ou não usados", como explicou a assistente social ao DN. Chama-se "permacultura", tem uma "dimensão social", ao promover a troca de produtos, mas também as relações sociais, a economia local e a inclusão social. Ou seja, "promover a taxa da felicidade interna bruta".

Adriana Galveias também acha que "quanto mais abrangente for a sua proposta", mais "feliz fica". Esta engenheira florestal, 37 anos, quer criar "jardins de borboletas nos jardins e parques públicos de vários concelhos da região de Lisboa e Vale do Tejo".

"É bastante fácil: basta identificar as espécies que existem num local", que pode ser "um canteiro ou um pequeno espaço", "para escolher a planta hospedeira", que ajudará à multiplicação dessas borboletas. A sua proposta está inscrita na área da ciência e dela nascerá ainda um "roteiro dos jardins existentes e das espécies alvo".

Já Sofia Vieira, 34 anos, designer de formação, quer promover uma "ação de formação para adultos, que assegure que a população local, em situação de desemprego, possa exercer a atividade de "guia local"". "A candidatura foi ao acaso", reconheceu ao DN. Soube da apresentação do OPP em Portimão, participou, desenhou com o irmão a proposta e submeteu-a. "Para ajudar as pessoas que estão em situação de desemprego", numa região ainda marcada pela sazonalidade dos empregos, como é o Algarve.

Estes quatros projetos são uma gota num mar dos 595 projetos a concurso. "Queixamo-nos muito de que não participamos e o OPP é uma oportunidade para que os cidadãos possam participar", apontou Luísa Coelho.

A secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, Graça Fonseca, recebe hoje numa banca da Feira do Livro de Lisboa os ministros da Cultura, Castro Mendes, e da Agricultura, Capoulas Santos, para votarem em dois projetos.

Números

595 projetos a votos. O número total de projetos é de 595, sendo 198 de âmbito nacional e 397 de âmbito regional (projetos a concretizar em cada uma das zonas territoriais).

306 propostas no Centro. O número de projetos com origem na região Centro são 306. O Norte com 244 e o Alentejo com 208 são as outras duas áreas geográficas mais "propositivas". Algarve (163), área metropolitana de Lisboa (141), Madeira (70) e Açores (64) fecham o número de projetos a concurso.

285 projetos na Cultura. É na Cultura que mais projetos vão a votos (285). Seguem-se a Agricultura (100), Ciência (98) e Educação e formação de adultos (92). Nas regiões autónomas há ainda duas outras áreas com propostas: a Justiça (13) e a Administração Interna (7).

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