Santana acusa Rio de encontrar razões para "justificar proximidade" ao PS

Santana Lopes falava a propósito de Rui Rio ter admitido que o PSD poderia apoiar um eventual futuro governo minoritário socialista

O candidato à presidência do PSD Pedro Santana Lopes acusou esta segunda-feira o adversário Rui Rio "de encontrar sempre argumentos para justificar alguma proximidade ao PS".

"O doutor Rui Rio, de facto, encontra sempre argumentos para justificar alguma proximidade ao Partido Socialista", afirmou Santana Lopes aos jornalistas em Penafiel, onde participou numa sessão com militantes.

Santana Lopes falava a propósito de Rui Rio ter admitido que o PSD poderia apoiar um eventual futuro governo minoritário socialista.

"Eu li essas declarações e surpreenderam-me muito, porque isso ser possível equivaleria ao PPD/PSD ocupar o lugar que agora é ocupado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda", insistiu o antigo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Santana Lopes defendeu que o PSD tem de ser alternativa e "não fazer blocos centrais, nem assumidos, nem disfarçados, preparar essa solução, essa alternativa, coerente, determinada e reformista que substitua o PS".

O candidato assinalou que o PSD "nasceu para ser primeiro partido, não nasceu para ser muleta de ninguém, nasceu para ser alternativa".

"Estar a falar de hipóteses dessas, a ano e meio de eleições, é quase uma confissão antecipada de falta de confiança nas possibilidades próprias", acrescentou.

Questionado sobre os números do desemprego e do défice hoje anunciados, Santana Lopes admitiu ser "um grande desafio para a oposição quando o Governo tem resultados positivos".

"A oposição tem que provar que é melhor e conseguiria melhor que o Governo que está em funções, apresentar melhores propostas, ter melhores caminhos e dizer o que é que o país ganharia se fosse a oposição a estar Governo", sublinhou.

O INE reviu hoje em baixa de 0,1 pontos percentuais a taxa de desemprego de outubro para os 8,4%, valor mínimo desde fevereiro de 2005, estimando para novembro uma nova descida para os 8,2%.

Posteriormente, numa intervenção na Fundação AEP, no Porto, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o défice de 2017 rondará "seguramente" o 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), "francamente" abaixo da meta inicial de 1,5%.

O candidato do PSD, que falou para algumas dezenas de apoiantes que enchiam o auditório do pavilhão de exposições de Penafiel, recebeu hoje o apoio do presidente da Câmara local, Antonino Sousa.

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