PSD diz que PS está a pagar por "arrogância" na questão da Carris

Apreciação parlamentar. Comunistas não dizem se querem travar diploma que transfere poderes para Lisboa. PS disposto a dialogar

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, "está a pagar o preço da arrogância com que o PS tratou a questão da municipalização da Carris". A acusação é do vereador social-democrata António Prôa, na sequência do anúncio de que o PCP irá pedir a apreciação parlamentar do diploma que transfere para a autarquia a tutela desta empresa pública de transportes. O PS já se manifestou disponível para dialogar com os comunistas.

Em declarações ao DN, António Prôa ressalvou "não poder nem dever" especular sobre qual será a posição do PSD caso o chumbo do diploma venha a estar em cima da mesa no Parlamento, lembrando falar "na qualidade de vereador e tendo presentes os interesses dos munícipes" de Lisboa. No entanto, não deixou de lembrar que "é conhecida" a visão do PSD sobre esta matéria, partido "que quando teve responsabilidades governativas advogou uma posição diferente", mais concretamente a concessão a privados da gestão da Carris e do Metropolitano de Lisboa.

O vereador social-democrata tem criticado o executivo camarário, também por ter aceitado uma solução que não integra o Metropolitano de Lisboa, o qual considera "essencial" para assegurar uma "intervenção decisiva" ao nível da mobilidade na área metropolitana. E há dias avançou também com uma moção, que foi aprovada, no sentido de a câmara dar contas do "impacto financeiro" que a incorporação da Carris - que prevê a compra de 250 autocarros novos e mais de duas centenas de contratações de motoristas - terá nas contas da cidade de Lisboa.

Agora diz esperar que a iniciativa do PCP seja "uma oportunidade para discutir as fragilidades da medida", aconselhando o PS a ter "a humildade" de promover um debate alargado.

Formalmente o PSD não quis tomar posição sobre esta matéria. E, ao que o DN apurou, é provável que uma decisão definitiva só seja tomada nesta terça-feira, na reunião da comissão permanente do partido. Os social-democratas pretendem também aguardar pela clarificação das intenções do PCP.

PCP mantém suspense

O PCP recusou ontem comentar a notícia, avançada pelo jornal Público, deixando assim por esclarecer um aspeto crucial sobre esta apreciação parlamentar: se vai ou não pedir a cessação da vigência da medida do governo, já promulgada pelo Presidente da República e com entrada em vigor prevista para esta quarta-feira.

Caso o faça, confirmou o DN, o Bloco de Esquerda votará contra. Ao contrário dos comunistas, que preferem ver a Carris sob a tutela do Estado central, os bloquistas não se opõem à municipalização, só concordando com estes na necessidade de alargar o debate aos municípios da Área Metropolitana de Lisboa também cobertos pela oferta da transportadora.

Já o CDS-PP, através do deputado Hélder Amaral, já disse ao Público que o partido seguramente aprovará uma iniciativa que inclua a cessação da vigência do diploma.

Caso o PSD se alie a PCP e CDS na votação, estarão garantidos 122 votos, suficientes para travar mais um diploma do governo - dias depois do chumbo parlamentar da redução da TSU que as empresas pagam pelos trabalhadores com salário mínimo. Mas o consenso não deverá ir além dessa coligação negativa.

O próprio António Prôa assumiu ao DN ver como "muito difícil" uma alternativa para a Carris que passasse por um entendimento do seu partido com o PCP, considerando até mais provável um entendimento com António Costa: "Se o PS quiser uma solução que seja viabilizada pelo PSD, não vejo isso como impossível."

PS "já esperava" iniciativa

Entretanto, o PS já veio a público afirmar a sua "tranquilidade" perante a iniciativa do PCP, mostrando-se disponível para debater a questão com os comunistas. "Vamos esperar para conhecer as propostas do PCP, mas estamos abertos ao diálogo. Já estávamos à espera, porque o PCP anunciou essa intenção no debate que houve sobre transportes", disse à Lusa o deputado João Paulo Correia, frisando que os socialistas não foram surpreendidos.

"Estamos a encarar o pedido de apreciação parlamentar com tranquilidade e convictos de que a medida de transferência da Carris para o município de Lisboa é a mais racional e a que melhor defende o interesse público, no plano do serviço e no plano da gestão financeira da empresa", afirmou também João Paulo Correia. Com Lusa

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