PSD Com Passos "em reflexão", caminho aberto aos críticos

Catástrofe, terramoto, demasiado mau - ao longo da noite de ontem, um abalado PSD foi reagindo em estado de choque aos resultados eleitorais que anunciavam um dos piores resultados de sempre do partido a nível autárquico.

Não tardou até alguém pedir a cabeça de Pedro Passos Coelho e foi logo Manuela Ferreira Leite a primeira a fazê-lo. O líder social-democrata ficou a meio caminho e com hipótese de retorno: não sai, mas entrou em reflexão sobre se deve ou não recandidatar-se a novo mandato.

Passos Coelho não precisou quando é que anunciará a sua decisão - o PSD reúne o Conselho Nacional já amanhã e as autárquicas serão, inevitavelmente, o prato forte do encontro - mas garantiu que não demorará muito tempo a fazê-lo.

O líder social-democrata também sublinhou que não se demitirá pelo caminho: "Não vou apresentar a minha demissão do PSD por causa de umas eleições locais. O que vou avaliar é se, politicamente, faz sentido recandidatar-me a um novo mandato".

Qualquer que seja a decisão final - que será feita com a comissão política, mas sobretudo a nível pessoal - o líder social-democrata diz não ver razões para antecipação das diretas no partido.

"O calendário actual é o adequado", afirmou Passos Coelho, na intervenção final de uma noite negra para os sociais-democratas. Terceiro no Porto e terceiro ou quarto em Lisboa, o PSD caiu para resultados próximos dos 10% nas duas principais cidades e falhou o objetivo geral que tinha colocado para estas autárquicas, de ganhar o maior número de câmaras (ficou abaixo de 2013).

Depois de ter cumprimentado António Costa pela "vitória expressiva", Passos falou num "resultado muito pesado" para o PSD, um "dos piores de sempre" do partido, e isto em cima do resultado de há quatro anos, que já fora negativo.

Um resultado que obriga a ponderar também a estratégia nacional do partido, admitiu. Mas, questionado sobre o reforço à governação que Costa tinha pedido para estas eleições, Passos foi rápido a retomar o discurso de que o que se jogou ontem foram 308 eleições locais. António Costa perdeu as legislativas, relembrou, e uma vitória nas autárquicas não substitui esse resultado.

O balanço eleitoral de ontem abre de par em par as portas da corrida à liderança do PSD. Com as eleições à distância de poucos meses, apontadas para o início do próximo ano, os resultados das autárquicas prometem transformar os próximos dias numa prolongada noite de facas longas no PSD. Passos já estava na mira de muitos críticos internos, dada o processo de escolha de candidatos, sobretudo em Lisboa, que agora ganham argumentos contra o atual líder laranja.

Ontem, começaram já a sentir-se as ondas de choque. Ferreira Leite afirmou-se "abalada" com os "resultados demasiadamente maus", sustentando que Passos Coelho "não tem condições" para continuar na liderança. Outro ex-líder, Marques Mendes, avisou que, ou Passos sai ou vai ter a vida transformada num "inferno".

Rui Rio não fez ontem declarações, mas conhecidas as movimentações do ex-autarca do Porto, a posicionar-se na corrida para a liderança do partido, essa será uma das intervenções mais aguardadas dos próximos dias - falta saber se aguardará ou não pela decisão de Passos.

Tal como Pedro Duarte e José Eduardo Martins, críticos da atual liderança, mas que se envolveram nesta luta autárquica precisamente em Lisboa e no Porto, as grandes derrotas da noite social-democrata.

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