PSD acusa Medina de "gestão liberal" do turismo

Vereador social-democrata António Prôa diz que autarquia não tem estratégia para o turismo e deixa "correr tudo"

O vereador do PSD na câmara de Lisboa, António Prôa, defende hoje que o turismo na capital deve ser regulado, acusando o atual executivo, liderado por Fernando Medina, de "ser absolutamente liberal" nesta matéria.

"Falta uma estratégia para o turismo. O que é que queremos em Lisboa?", questionou o responsável social-democrata, que falava ontem num encontro com a imprensa. Para António Prôa "esta gestão socialista tem sido absolutamente liberal, tem deixado correr tudo": "O licenciamento de hotéis é a torto e a direito, o alojamento local não tem regulação, os tuk-tuks a mesma coisa."

Sublinhando que não se trata de travar o turismo, que é importante para a economia da cidade, o vereador do PSD sustenta que o "o mercado tem que ser regulado", caso contrário "um dia pode ser tarde" para reparar danos: "Vale a pena pensar o que queremos e vale a pena fazê-lo antes que que se crie uma aversão dos lisboetas aos turistas."

"Medina tem um problema de legitimidade"

Mas o objetivo do encontro com a imprensa era outro. António Prôa não gostou de ouvir Fernando Medina dizer que, há dez anos (ao tempo da gestão do PSD) a autarquia estava falida, e acusa o atual presidente do município de tentar "apropriar-se" e perpetuar "uma mentira".

A 10 de maio último, falando na Assembleia Municipal, Fernando Medina afirmou que "há pouco mais de uma década, a Câmara Municipal de Lisboa estava falida" e que não houve "executivo capaz de se aguentar", acabando uma "comissão administrativa a tomar conta" da câmara. Prôa argumenta que esta foi uma história "habilmente construída por António Costa" e que Medina tenta agora "herdar essa imagem" de quem salvou a autarquia da bancarrota. "Fernando Medina tem um problema de legitimidade - é normal em quem nunca foi a votos - e tem necessidade de se afirmar recorrendo a algum património [político] que de algum modo herdou de António Costa", ripostou o vereador social-democrata.

O autarca do PSD argumenta que a câmara de Lisboa não estava em rutura financeira, mas numa situação de "desequilíbrio financeiro conjuntural", e sustenta que a prova disso é que, em 2007, António Costa não recorreu a um plano de reestruturação financeira (mecanismo previsto na lei para as autarquias em situação de falência), mas a um empréstimo para pagar a dívida a fornecedores. E o que acabou por fazer foi "transformar a dívida a fornecedores em dívida de médio e longo prazo a outros credores". Ou, nas palavras de António Prôa: "O que António Costa fez foi mascarar as contas da Câmara".

O vereador da oposição alega que o PS fez uma "dramatização da situação financeira" da autarquia e diz que se não fosse o "bónus" do memorando de entendimento entre a Câmara de Lisboa e o governo de Passos Coelho sobre os terrenos do aeroporto - que valeu à autarquia 286 milhões de euros - "a situação da dívida total a terceiros tinha-se agravado".

E se atualmente o município tem uma situação financeira mais saudável, o vereador do PSD encontra duas explicações para isso. Por um lado "a receita dos impostos tem-se comportado de forma muito positiva". Por outro houve um "aumento brutal da taxa de proteção civil, do saneamento e resíduos". E há ainda um terceiro fator, um "aumento substancial da venda de património". Sobre este último ponto em particular, o autarca defende que a "alienação do património do município devia ser sujeita a um acordo de regime".

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