PS e PSD sem candidatos nas capitais onde são oposição

Além de sete presidentes recandidatos, PSD tem nomes definidos no Porto e em Leiria. PS também recandidata todos os autarcas que presidem a capitais de distrito

Nas capitais de distrito em que os dois maiores partidos autárquicos estão na oposição mantém-se, na esmagadora maioria dos casos, a incógnita em torno do nome dos candidatos. Onde são poder, a palavra de ordem é manter tudo como está: a nove meses das eleições autárquicas sabe-se que PS e PSD vão avançar com as recandidaturas dos seus atuais presidentes de câmara que não estejam no limite do mandato.

Os socialistas querem apresentar os seus cabeças-de-lista até à convenção autárquica que vão realizar em março. O primeiro pontapé de saída para as eleições do outono foi dado no dia 4, com uma homenagem aos autarcas do PS eleitos nas primeiras autárquicas em 1976, quando os socialistas elegeram 115 presidentes de câmara e foram o partido mais votado.

A fasquia para este ano é bem mais alta: em 2013, o PS chegou às 149 câmaras, liderando ainda uma coligação alargada no Funchal. O então líder socialista António José Seguro deixou o partido com mais votos, mais câmaras e mais mandatos, garantindo a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). A vitória só não foi mais saborosa porque o PS perdeu quatro capitas de distrito - Braga e Guarda para o PSD e Beja e Évora para o PCP. Na troca, os socialistas conquistaram Coimbra e Vila Real (e também o Funchal) ao PSD.

Agora, Manuel Machado, em Coimbra, e Rui Santos, em Vila Real, repetem as suas candidaturas, para também eventualmente repetirem os cargos que estas presidências lhes trouxeram: Machado é o presidente da ANMP, Santos o dos autarcas socialistas. Nas outras capitais de distrito, todos os presidentes são recandidatos: Luís Manuel Correia em Castelo Branco, Raul Castro em Leiria, José Maria Costa em Viana do Castelo, José Gabriel Meneses em Angra do Heroísmo e Fernando Medina em Lisboa, embora o autarca da capital se apresente pela primeira vez a votos (ver caixa).

Nas capitais em que manda o PSD, como Aveiro, Braga, Faro, Bragança, Guarda e Viseu, o PS ainda tem nomes por fechar. O PS de Portalegre quer José Correia da Luz, atual presidente na autarquia do Crato, para encabeçar a lista na capital de distrito. Nas autarquias comunistas, o entendimento parlamentar atual obriga a outras cautelas no discurso, apesar de o PCP já ter avisado que não abdica de defender as suas "posições". Fonte da direção do PS admite que pode existir mais simpatia do eleitorado com o partido, como apontam as sondagens, mas que PCP e BE também podem beneficiar nesse capítulo.

Onde o PS abdicará de avançar é no Porto, com o apoio já apontado a Rui Moreira, apesar de críticas internas. Em Matosinhos, o PS pode recuperar uma histórica autarquia, depois de o ex-presidente Guilherme Pinto, que morreu no domingo, ter abdicado e anunciado o seu apoio a Luísa Salgueiro.

PSD: dúvida na Guarda

No PSD, as sete capitais de distrito ganhas em 2013 vão manter os atuais presidentes. Com uma incógnita - Álvaro Amaro, que lidera a Guarda, é hipótese para Coimbra. Os sociais-democratas veem na cidade dos estudantes uma janela para uma possível vitória num município que está em mão socialista. Por outro lado, este cenário também pode favorecer o PS na disputa autárquica na Guarda. Ao DN, Álvaro Amaro deixa tudo em aberto: "Não está decidido o que quer que seja. Por ora, não tenho pressa em decidir. O partido tem um calendário, vai cumprir-se esse calendário."

Nas restantes capitais de distrito, e ainda que em vários casos não haja decisões formais, as estruturas locais apontam para a recondução dos atuais presidentes, dando seguimento à orientação geral do partido. Será esse o caso em Faro, com Rogério Bacalhau; em Santarém, com Ricardo Gonçalves; em Aveiro, com Ribau Esteves; em Braga, com Ricardo Rio; em Viseu, com Almeida Henriques; em Bragança, com Hernâni Dias. Entre as restantes capitais de distrito, há duas com candidato já definido.

Porto avança com independente

No Porto avança o independente Álvaro Santos Almeida, economista, ex-presidente da Entidade Reguladora da Saúde. O nome foi ontem à noite à aprovação da concelhia, e Bragança Fernandes, presidente da distrital do Porto dos sociais-democratas, garante que reúne o consenso da direção nacional: "Tenho conversado com o presidente do partido, estamos todos de acordo." "É um candidato ganhador", diz o líder distrital, que não reconhece o mesmo estatuto a Rui Moreira: "Isso foi antes. Agora é o candidato de uma coligação entre o PS e o CDS."

Também Leiria já tem candidato aprovado pelas estruturas locais: Fernando Costa, ex-presidente das Caldas da Rainha e vereador em Loures, candidata-se agora pela capital de distrito. Por definir continua Lisboa, um processo que está nas mãos de Passos Coelho. No distrito, o PSD tem ainda por fechar Loures, Odivelas e Oeiras (onde está a negociar o apoio ao atual presidente, o independente Paulo Vistas).

Estabelecido o final de março como prazo para definição dos candidatos, as estruturas distritais avançam a diferentes ritmos, sendo notório que o processo está mais avançado nos distritos de maior implantação autárquica. Em Braga, e de acordo com o presidente da distrital, José Manuel Fernandes, dos 14 municípios "falta decidir três". Os sociais-democratas têm apenas um autarca obrigado a sair por limitação de mandato e podem beneficiar com as lutas internas no PS que se multiplicam no distrito, caso de Barcelos e Fafe. Em Leiria, o líder da distrital, Rui Rocha, adianta que estão definidas cerca de metade das candidaturas, num círculo particularmente favorável aos sociais-democratas e onde há três presidentes "adversários" obrigados a sair. Na Guarda, onde os dois principais partidos detêm o mesmo número de câmaras municipais, o PSD recandidata os presidentes de seis autarquias. Em Castelo Branco há quatro presidentes de câmara recandidatos. Em Coimbra são três. Em Bragança, o presidente da distrital, Jorge Fidalgo, diz ao DN que está "praticamente concluída" a indicação dos candidatos por parte das concelhias. Também em Aveiro, outro distrito maioritariamente social--democrata, os candidatos "estão praticamente todos identificados", nas palavras do presidente da distrital, Salvador Malheiro.

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