Russos "furiosos" com Proteção Civil

A Proteção Civil interditou o hangar da frota de helicópteros Kamov e expulsou as equipas russas que procediam à manutenção das aeronaves, segundo o presidente da empresa que gere os helicópteros

A Proteção Civil considera que o encerramento do hangar foi "a única medida que, no imediato e face à omissão de qualquer atuação ou esclarecimento por parte dos técnicos da Everjets presentes no local", permitiu acautelar "os bens da ANPC e o interesse público subjacente"

"O hangar da ANPC sito em Ponte de Sor, onde se encontra localizada a frota de helicópteros Kamov, propriedade do Estado português, foi na terça-feira interditado pela ANPC em virtude de se ter constatado a movimentação de material da mencionada frota, por parte da Heliavionics (subcontratada da Everjets, S.A.), sem ter sido efetuada a identificação do referido material, nem ter sido solicitada a necessária autorização, tendo tal facto sido logo comunicado à Everjets, S.A", refere a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) em comunicado.

"Salienta-se que foram solicitados à Everjets, S.A. os necessários esclarecimentos, em ordem a que, caso se encontrem reunidas as condições para tal, seja reaberto o hangar e retomados os trabalhos com a normalidade necessária e desejável", concluiu.

A empresa Everjets referiu que a Proteção Civil "selou as instalações" e expulsou as equipas que procediam à manutenção de três helicópteros Kamov, no Aeródromo de Ponte de Sor, Portalegre, avisando que prontidão destas aeronaves fica "seriamente comprometida".

"A Autoridade Nacional de Proteção Civil [ANPC] encerrou e selou as instalações [na terça-feira] onde estão guardados os helicópteros Kamov, expulsando dos hangares as equipas russas que procediam à manutenção das aeronaves. Os helicópteros Kamov estavam a ser reparados para operarem no início da campanha de combate aos fogos, a partir de 15 de maio", referiu a administração da empresa, em comunicado enviado à agência Lusa.

À TSF, o presidente da Everjets, Ricardo Dias, refere que os russos ficaram "muito furiosos" e "indignados" por lhes ter sido interditado o acesso ao hangar. "Os técnicos da Kamov já abandonaram o país", revela. Os elementos das equipas russas sentiram que estavam a ser acusados de roubo.

"A ANPC não acusou... Agora os indícios e a forma abrupta como foi tomada de assalto as instalações e retirados os cartões de acesso a toda a gente e dada a ordem de saída e vedado o acesso, tudo selado, tudo retirado do hangar rapidamente indicia que algo de muito grave se estaria ali a passar, quando na realidade não se estava a passar nada de grave", defende Ricardo Dias em declarações à rádio.

A ANPC invoca como motivo para esta decisão, segundo a Everjets, "que a empresa de manutenção russa Heliavionics da Kamov estava a movimentar equipamento/peças sem autorização prévia, situação esta que no decorrer dos anos sempre foi normal".

"A Everjets, a empresa que opera os Kamov em Portugal por força do contrato celebrado com o Estado, e que pretendia cumprir o planeamento de manutenção, vê-se assim impossibilitada de cumprir os objetivos e garantir a prontidão das aeronaves, que fica seriamente comprometida", alerta a empresa.

Proteção Civil multa empresa que gere Kamov

À TSF, a ANPC referiu que a Everjets já teve os helicópteros parados, sem razão justificável, durante 224 horas, o que representa multas por quebras de contrato na ordem dos 380 mil euros. Este ano já foram registadas novas paragens não autorizadas nas aeronaves do Estado, mas ainda não foram contabilizadas.

A Everjets garante, no entanto, que tem pronto e parado um dos seis Kamov que gere porque a Agência Nacional de Aviação Civil ainda não inspecionou a aeronave.

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