Produtores de leite e carne voltam à rua dia 31

Os produtores estarão em fente à Feira Internacional da Agricultura, e asseguram que "a luta vai continuar" até que sejam tomadas medidas

Os produtores de leite e carne voltam à rua no dia 31 com uma concentração em Braga, frente à Feira Internacional de Agricultura AGRO, e asseguram que "a luta vai continuar" até que sejam tomadas medidas para viabilidade do setor.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne (APPLC), José Lobato, salientou que o objetivo é "alertar para a situação" do setor, "sensibilizar a população para o consumo de leite e carne nacional, reclamar a regulação pública da produção, exigir mais fiscalidade aos produtores importados e chamar a atenção do Governo português para que tome medidas para salvar a produção nacional".

É que, sustentou, "neste momento a crise está instalada" no setor do leite e carne, que está "a vender o produto abaixo do custo de produção", numa situação "insuportável": "Já desapareceu um conjunto de explorações e daqui até ao fim do ano, se não forem tomadas medidas, muitas outras vão desaparecer", assegurou.

"Depois da grande manifestação do Porto [no passado dia 14], que foi das maiores de sempre do setor e em que se viu a unidade de todas as estruturas, esta luta vai continuar e cada uma das organizações vai seguir o seu percurso e desenvolver as suas próprias iniciativas", afirmou José Lobato.

Assegurando que o setor "vai continuar a travar esta luta pela defesa da produção nacional até à existência do último produtor no país", o presidente da APPLC avisa que "se não forem tomadas medidas pela União Europeia e pelo Governo português não vai haver sossego".

No passado dia 14 os produtores de leite e carne organizaram uma marcha lenta com várias centenas de tratores que partiram de Vila do Conde em direção à Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Norte, em Matosinhos, alertando para a situação "dramática" vivida pela atividade, que se diz "esmagada" pelos baixos preços pagos à produção e pelas importações de produtos lácteos.

A "defesa da produção nacional" e o combate às "práticas comerciais abusivas" da grande distribuição - que, garantem, "têm contribuído para a grave crise que arrasa a pecuária nacional" - são as grandes reivindicações dos produtores portugueses de leite.

Reclamando ser "indispensável a regulação legislativa e a fiscalização da atividade dos hipermercados", o setor reclama ao Ministério da Agricultura e ao Governo que criem "condições para escoamento, a melhores preços à produção, dos produtos agroalimentares" nacionais, desde logo o leite e a carne, e ao mesmo tempo efetuem um "controlo severo das importações, como está a fazer a Espanha desde há meses".

Ainda exigido pelas organizações agrícolas é que o Ministério da Agricultura e o Governo "lutem" a nível europeu "pela retoma de mecanismos públicos de controlo da produção e dos mercados, como as 'quotas' leiteiras nacionais, cujo fim determina, em grande parte, a atual crise".

Também defendida pelos agricultores é uma "'retirada' à produção (compra pública a preços compensadores) dos vitelos e das vacas já fora da produção leiteira", assim como a isenção temporária e "sem perda de direitos" do pagamento das contribuições mensais para a Segurança Social e o reembolso de parte do consumo da 'eletricidade verde'.

Adicionalmente, o setor pretende um aumento da ajuda (ligada à produção) à vaca leiteira e a promoção do "consumo prioritário" da produção nacional nas cantinas públicas e dos mercados de proximidade, assim como o aumento do preço à compra pública de leite, laticínios e carne.

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