Marcelo quer jovens em Madrid como "embaixadores qualificados" de Portugal

O chefe de Estado sublinhou que aqueles jovens "estão a ter uma oportunidade única" e que devem aproveitar "como se fosse o último dia da vossa vida"

O Presidente da República encontrou-se, esta terça-feira, em Madrid com cerca de 80 jovens portugueses "muito habilitados" a quem incentivou a serem "embaixadores qualificados" de Portugal em Espanha.

"Estão a ter uma oportunidade única" e que devem aproveitar "como se fosse o último dia da vossa vida", disse Marcelo Rebelo de Sousa a um grupo de jovens portugueses, na sua grande maioria estudantes universitários em mestrados ou trabalhadores em grandes empresas e multinacionais.

No encontro na embaixada de Portugal em Madrid, o chefe de Estado sublinhou que aqueles jovens vivem numa época em que lhes é possível terem "qualificações excecionais", que eram mais difíceis de obter na "geração" de Marcelo Rebelo de Sousa.

"O vosso mundo é diferente do meu na vossa idade", disse o Presidente português antes de cumprimentar um a um os jovens portugueses.

Segundo fontes diplomáticas, a emigração de jovens portugueses para Madrid é mais qualificada do que noutros locais, e tem pouco a ver com a emigração tradicional.

"É um Presidente muito simpático, interessante e conectado com as pessoas", disse à agência Lusa um desses jovens, estudante do mestrado em economia.

O Presidente português cumpre, esta terça-feira, o segundo dia da sua visita de Estado a Espanha e, depois de esta manhã ter participado num encontro empresarial entre os dois países, tem ainda previsto reunir-se com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e discursar numa sessão conjunta das duas câmaras das cortes (parlamento e senado).

A visita termina na quarta-feira com uma deslocação a Salamanca, onde vai estar acompanhado pelo rei Felipe VI durante parte do dia.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.