Pré-avisos de greve ao nível mais baixo da década apesar da agitação social

O número de pré-avisos de greve dos três primeiros trimestres de 2017 apontam para dados próximos aos de 2016, que foi o ano com menos pré-avisos e grevistas. Mas setores com forte expressão paralisaram

A greve nos CTT, nos super e hipermercados, dos guardas prisionais ou na mina de Neves-Corvo, que decorreram por estes dias, depois de paralisações mediáticas de professores, médicos ou enfermeiros, podem indicar que a contestação social cresceu, mas o número de pré-avisos de greve dos três primeiros trimestres de 2017 apontam para números próximos aos de 2016, que foi o ano com menos pré-avisos de greve e menos grevistas da década - embora se tenha realizado mais uma greve do que em 2015.

Segundo os dados provisórios para 2017, com base nas estatísticas recolhidas e tratadas pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, e disponibilizadas ao DN, nos três primeiros trimestres do ano registou-se um total de 429 pré-avisos de greve, não estando ainda disponíveis dados sobre greves efetivamente realizadas no decurso deste ano.

Os dados para este ano não estão fechados, mas - observando os dados sobre greves efetivamente realizadas nos últimos - é possível perceber que "o comportamento do número de greves realizadas por ano acompanha genericamente a evolução do número de avisos prévios de greve comunicados" (ver quadro), como explicou ao DN fonte oficial do gabinete do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Estes pré-avisos "atingiram um máximo de 1895 em 2012 e tiveram uma diminuição generalizada até 2016, ano em que se registou um total de 488 avisos prévios de greve".

Há duas exceções a esta tendência, que tiveram lugar curiosamente nos dois anos anteriores a 2017: em 2015, o número de pré-avisos subiu face a 2014 mas as greves decaíram para o valor mais baixo desde 2000; e em 2016, os pré-avisos baixaram para o valor mais baixo da década, mas o número de paralisações aumentou ligeiramente (de 75 para 76).

As greves registaram um acréscimo do seu número entre 2011 e 2012 (de 88 para 127), seguido de um decréscimo global, até às 75 de 2015 e 76 realizadas em 2016.

Com o debate do Orçamento do Estado, este último trimestre foi mais conflituoso e a paz social beliscada com várias paralisações significativas. Em novembro último, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, explicava que "as coisas estão muito diferentes". E rejeitava a passividade de trabalhadores: "Há mais contestação nas ruas, mais manifestações", começava por defender Arménio Carlos. "Há mais contestação, como se percebe, porque frustraram as expectativas das pessoas."

No final de 2016, perante os dados de uma contestação menor, Arménio Carlos pintava o seu discurso sindicalista em tons mais tranquilos. A realidade tinha mudado, avisava o secretário-geral da Intersindical. O governo PSD-CDS tinha acabado de cair, uma inédita maioria parlamentar de esquerda apoiava o governo socialista e a contestação estava numa rotação baixa.

Neste ano, as exigências sindicais aumentaram no espaço mediático e podem vir a traduzir-se num maior número de grevistas, depois de paralisações de setores com forte expressão (professores e técnicos de educação; médicos, enfermeiros e técnicos de saúde). Os números mais reduzidos de trabalhadores em greve nos anos de 2014 e 2015 eram explicados pelo facto de não ter ocorrido "nenhuma grande greve de pluriempresa". Neste ano, a realidade será outra mas os dados finais só serão conhecidos em 2018.pré-avisos

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