PR recusa comentar processo de substituição do Chefe da Armada

Macieira Fragoso queixou-se de que gostaria de ter sabido mais cedo de que iria ser substituído

O Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas recusou hoje comentar o processo de substituição do Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), afirmando que não fala em público sobre questões de natureza militar.

"Não faço comentários sobre matéria de natureza militar em público", respondeu Marcelo Rebelo de Sousa, depois de questionado sobre as críticas do CEMA à forma como foi conduzida a sua substituição, feitas em entrevista à Lusa.

O chefe de Estado falava aos jornalistas, após ter discursado na sessão de abertura da conferência "Portugal e o Estados Unidos da América: Parceiros no mundo em mudança", no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.

A comunicação social questionou também Marcelo Rebelo de Sousa sobre as críticas do antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes às suas declarações sobre a Caixa Geral de Depósitos, ao que o chefe de Estado respondeu que "nunca comenta comentadores".

Em entrevista à Agência Lusa, o chefe do Estado-Maior da Armada, Macieira Fragoso, admitiu que gostaria de ter sido "avisado mais cedo" de que não seria reconduzido no cargo, para que a transição se fizesse com "mais serenidade".

"Não posso dizer que tenha sido surpreendido. Que gostaria de ter sido avisado mais cedo, isso posso dizê-lo", afirmou Macieira Fragoso, a propósito do final do mandato, que iniciou em 09 de dezembro de 2013 e que termina na sexta-feira.

Sem esconder algum desagrado pela forma como o processo de substituição está a decorrer, o chefe do Estado-Maior da Armada defendeu que teria sido "mais vantajoso" haver tranquilidade no processo de transição.

"Claro que é sempre vantajoso que estes processos se façam com mais tranquilidade para que a transição se faça com mais serenidade e também seria bom saber quem é o meu substituto com mais antecedência porque isso cria especulações, não é? Eu acho que é muito negativo para a Marinha, e julgo que para qualquer ramo das Forças Armadas, ver sistematicamente nos jornais notícias especulativas sobre quem vai ser, quem vai deixar de ser, o que se repercute de alguma maneira nas pessoas mas sobretudo nas instituições, o que não é nada vantajoso", afirmou.

Segundo avançou na terça-feira o DN, o Governo irá indicar o vice-almirante Silva Ribeiro, atual diretor-geral da Autoridade Marítima Nacional, para suceder a Macieira Fragoso. Contactado pela Lusa, o ministério da Defesa não confirmou mas também não desmentiu a notícia.

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