Europa fechada em populismos xenófobos é uma Europa pobre

"Mas será que algum Europeu pensa que é puro? Algum europeu pensa que provém de uma raça privilegiada?", questionou o Presidente da República

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta segunda-feira que uma Europa fechada em híper nacionalismos ou populismo xenófobos é uma Europa pobre e vazia culturalmente.

O chefe de Estado, que participava na abertura da conferência "Europa, para onde vamos?", no Porto, disse que a Europa não se pode fechar ao mundo, numa reflexão sobre as políticas a adotar em relação a migrantes e refugiados.

"Mas será que algum Europeu pensa que é puro? Algum europeu pensa que provém de uma raça privilegiada? E que, portanto, deve defender o seu mundo dos forasteiros? Mas a Europa nasceu de uma encruzilhada de culturas e civilizações. A Europa atrai porque tem várias matrizes que confluíram. A Europa fechada em híper nacionalismos, em populismo xenófobos, é uma Europa pobre, é uma Europa culturalmente vazia", sustentou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República considerou que "a definição das políticas perante migrantes e refugiados" tem de ser clara e acrescentou que muitos líderes europeus têm agora a oportunidade de se afirmarem, não indo atrás de populismos.

"Pode ser ingrato ou difícil, mas tem de haver uma definição. Ser líder político é muitas vezes ter de afrontar os populismos a cada instante. É isso que é a liderança. Não é ir atrás desses populismos", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que os líderes têm de mostrar se "são ou não capazes de pedagogicamente afrontar as tensões, as tendências, os tropismos vividos nas suas sociedades" porque caso não o façam "perdem eles a prazo, perdem os respetivos Estados, perdem as respetivas sociedades e perde a Europa e perde o mundo".

"Porque esse tropismo multiplica-se para além de fronteiras de continentes", afirmou o chefe de Estado que antes tinha introduzido este tema referindo-se ao "desafio da liberdade inevitavelmente ligada à segurança".

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que se deve "ser muito claro na condenação, como aquilo que é um atentado contra os direitos fundamentais das pessoas, mas não se pode aceitar, a pretexto do combate a essa realidade, o desvirtuar do que é fundamental no projeto europeu".

"É um projeto de democracia e de liberdade e de humanismo e por isso também de circulação das pessoas e circulação das ideias e de abertura ao exterior", defendeu.

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