Ex-diretor do INEM Paulo Campos investigado por suspeitas de corrupção

ATUALIZAÇÃO às 18:00: PGR esclarece que investigação ainda não tem arguidos constituídos. A residência de Paulo Campos, que foi demitido do INEM em 2015 por má conduta, foi alvo de buscas esta quinta-feira

O ex-presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) Paulo Campos está a ser investigado por suspeitas de corrupção e a sua casa alvo de buscas da Polícia Judiciária (PJ), disse fonte ligada ao processo. A investigação, com o título "Marcha Lenta", está relacionada com casos de contratação pública ligados ao INEM.

Ao contrário do que a mesma fonte tinha garantido ao DN, Paulo Campos não foi no entanto constituído arguido neste processo, segundo esclareceu à Lusa, ao fim da tarde, a Procuradoria Geral da República (PGR), que garantiu não existirem ainda arguidos neste processo.

Conforme o DN tinha já avançado, a Unidade Nacional Contra a Corrupção da Polícia Judiciária está esta quinta-feira a fazer novas buscas, algumas domiciliárias, outras no INEM, em Lisboa e no Porto.

Além de visar as atividades de Paulo Campos, os investigadores estão a recolher documentação sobre ajustes diretos feitos por um antigo diretor do Gabinete de Logística e Operações daquele instituto público, suspeito de ter favorecido uma empresa com contratos de material de consumo médico, equipamento e prestação de serviços.

Neste processo, que corre na 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, os inspetores estão ainda a fazer buscas a empresas e residências dos suspeitos. Em causa podem estar crimes de participação económica em negócio, já que o ex-quadro do INEM será suspeito de passar informação sobre os concursos e necessidades do instituto.

A Procuradoria-geral da República confirmou, em resposta à agência Lusa, que as várias buscas - domiciliárias e a um instituto público - decorrem "no âmbito de um inquérito em que se recolhem indícios da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio e abuso de poder".

"A investigação visa a atuação do responsável principal desse instituto, por factos indiciariamente praticados no exercício das suas funções públicas e com violação dos deveres inerentes", informa a PGR.

O INEM foi uma das instituições públicas alvo de buscas na terça-feira, no âmbito de uma investigação sobre o caso do sangue, a operação O Negativo.

Demitido do INEM em fevereiro

Paulo Campos foi demitido do INEM pelo atual ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, na sequência do processo disciplinar aberto pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS): o então presidente do instituto era acusado de ter privilegiado uma doente ao autorizar um helicóptero para a transportar do Hospital de Cascais para o Hospital de Abrantes.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde concluiu, no relatório de inquérito, que a atuação do presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica fora "objetivamente ilegal" e que a conduta de Paulo Campos era "contrária aos princípios gerais da ética e da boa gestão".

Segundo a IGAS, "em função de um apelo particular, foi privilegiada uma doente sem que tal exceção fosse devidamente fundamentada e autorizada".

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