Pinto Luz aumenta a pressão de Lisboa sobre Rui Rio

A duas semanas do congresso, ex-líder da distrital de Lisboa do PSD diz que o líder eleito do partido tem a obrigação de ganhar as eleições legislativas e desafia-o a rever a moção.

A duas semanas do congresso do PSD, o ex-líder da distrital de Lisboa do partido Miguel Pinto Luz quis tornar públicas críticas ao líder eleito. Numa carta a Rui Rio, desafia-o a rever a sua moção por conter "omissões" importantes e exige que vença as legislativas de 2019.

Esta tomada de posição de Miguel Pinto Luz é vista no partido como uma forma de "marcar o terreno" antes do congresso e demonstra que mantém intacta a ambição que o levou a quase avançar para a corrida à liderança do partido, ainda antes de Pedro Santana Lopes ter assumido que ia a jogo.

O que conjugado com a moção que o PSD-Lisboa apresentará no congresso, e que pede uma clara demarcação do partido do PS de António Costa, só aumenta a pressão da "corte" da capital sobre Rio.

Depois de ter subscrito a moção do PSD-Lisboa, estrutura que integra, Miguel Pinto Luz usou "a arma mais eficaz para ouvir a sua voz", afirma ao DN uma fonte social-democrata da estrutura de Lisboa. E lembra que foi uma estratégia semelhante que José Eduardo Martins e Pedro Duarte usaram no anterior congresso para fazerem oposição a Pedro Passos Coelho. Há dois anos, no congresso de Espinho, era sobre eles que recaía toda a atenção da comunicação social, depois de semanas antes terem dado entrevistas e feito declarações críticas sobre a liderança de Passos.

Miguel Pinto Luz vem agora exigir a Rui Rio que reveja a sua moção, considerando que contém "omissões". "E essas omissões falam. Colocam-nos limites ao que podemos e não podemos fazer", afirma na missiva, datada de sexta-feira passada.

Como exemplos, o ex-líder da distrital de Lisboa do PSD considera que o mandato de Rio "não lhe permite viabilizar o orçamento do próximo ano", que vai ser aprovado em vésperas de eleições, tal como "não lhe permite estabelecer contactos ou encontros informais e discretos com a liderança do PS com o propósito de abordar a reedição do bloco central", considerando que tal seria interpretado pelos militantes "como deslealdade".

Tal como rejeita que "o mandato agora conquistado também não permite que o processo de descentralização seja aproveitado para fazer uma regionalização administrativa e opaca",

Já a moção do PSD-Lisboa, cujo primeiro subscritor é Pedro Pinto, atual líder da estrutura, também vai no mesmo sentido, já que defende que o PSD tem de se apresentar como "alternativa" ao PS e rejeitar entendimentos com o partido liderado por António Costa.

Miguel Pinto Luz é ainda mais taxativo ao exigir ao líder eleito do partido que vença as próximas eleições legislativas e considera que as europeias são "o primeiro teste" do partido sob a sua liderança.

Na carta, sublinha que os partidos "não são estruturas unipessoais" e "os líderes não têm o direito, nem o dever, se de comportarem como se fossem Messias", e deixa uma proposta ao presidente eleito: "Não lhe parece que seria um excelente contributo do PSD para a qualidade da nossa democracia que o nosso partido se apresente às próximas eleições legislativas propondo a limitação de mandatos também para os deputados?"

Pinto Luz desafia ainda Rui Rio a concretizar se o PSD irá defender a liberdade de escolha em matérias como a educação e a saúde, o que pensa sobre a sustentabilidade do regime de pensões, quais as suas propostas na áreas da legislação laboral, qualificação dos jovens, ciência ou o apoio público à cultura.

Orfandade em Lisboa

"Antes do congresso há a oportunidade de marcar e condicionar a agenda. As perguntas que o Miguel faz são inteligentes e vê-se que quer marcar a agenda para o futuro", diz ao DN um deputado social-democrata.

Fontes do PSD admitem ao DN que há uma certa "orfandade" no PSD-Lisboa, onde Santana Lopes venceu, e que o facto de não se conhecer as intenções do líder eleito quanto à composição dos órgãos do partido está a gerar algum desconforto - o que abre ainda mais espaço para figuras destacadas como Miguel Pinto Luz se afirmarem.

As mesmas fontes consideram que se Rui Rio escolher para a direção do partido apenas vices da sua entourage - fala-se de nomes como Manuel Castro Almeida, Paulo Mota Pinto, Feliciano Barreiras Duarte e Maria da Graça Carvalho -, a "guerra" começará em pleno congresso com a apresentação de várias listas aos órgãos nacionais do PSD, em particular ao Conselho Nacional. O que poderá "pulverizar" a maioria que Rio deveria conseguir no órgão máximo entre congressos e tornar o partido muito mais difícil de gerir.

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