Pintar a Secundária de Camões em ação de protesto

Os alunos, encarregados de educação e professores da Escola Secundária de Camões, em Lisboa, vão passar o fim de semana a pintar salas de aula, numa ação de protesto que pretende alertar para necessidade da realização de obras no edifício.

A ação de protesto "Pintar Camões", marcada para sábado e domingo, é, segundo o diretor da escola, uma iniciativa da comunidade educativa, que envolve pais, professores e alunos.

"O objetivo é pintar 24 salas, mas poderão ser mais, para melhorar as condições da escola", afirmou Jaime João, segundo o qual "a pintura não resolve a questão estrutural do edifício, mas desta maneira chama-se a atenção para este problema".

O diretor adiantou ter pedido ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) um parecer, para verificar a necessidade da realização de obras na escola e que a resposta chegou hoje.

"O relatório [do LNEC] realça a necessidade de obras com urgência", afirmou Jaime João.

Este responsável acrescentou que vão ser enviadas cópias do documento ao ministro da Educação, à Parque Escolar e ao Diretor Regional de Educação de Lisboa.

O diretor explicou que estava previsto o início de obras na escola, a realizar pela Parque Escolar, em agosto do ano passado, mas que foram entretanto suspensas.

No dia 13 de abril, o ministro assegurou no Parlamento que foi decidida a suspensão parcelar de algumas intervenções este ano (26), com retoma em 2013, e que está em curso a recalendarização de outras.

Segundo Nuno Crato, estão neste momento a decorrer obras em 48 escolas.

O Tribunal de Contas (TC) detetou despesas e pagamentos ilegais no montante de cerca de 256 milhões de euros e mais de 236 milhões euros relativos a 34 contratos da Parque Escolar, não submetidos a visto.

A Inspecção-Geral das Finanças concluiu que a utilização de materiais nas escolas teve um custo excessivo, tendo recomendado uma apreciação crítica exaustiva antes da aprovação dos projetos de arquitetura.

No Parlamento, o ministro da Educação revelou, então, ter pedido à Parque Escolar um relatório sobre a real situação financeira e de tesouraria da empresa, bem como propostas de medidas imediatas tendo em conta as auditorias.

Quanto à Escola Secundária de Camões, o diretor da Escola Secundária Camões pede medidas.

"Há o relatório do TC e das Finanças e realizaram-se audiências no Parlamento, mas não ouvimos qual a fase seguinte. Qual é o plano B? Que obras vamos fazer? O tempo está a passar e não há medidas efetivas", afirmou Jaime João, ao sublinhar que "tem de haver um sinal, tem de haver um plano B para apoiar as escolas".

A ação de protesto "Pintar Camões" realiza-se entre as 09:00 e as 18:00 de sábado e as 9:00 e as 13:00 de domingo.

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