PGR desconhece queixa sobre fuga de informações em exame de português 

O que existe é uma declaração pública das entidades responsáveis a dizerem que vão mandar [a participação] ao Ministério Público

A procuradora-geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, afirmou hoje que "até ao final do dia de quarta-feira o Ministério Público não recebeu nenhuma participação formal sobre uma alegada fuga de informação no exame de Português do 12.º ano.

"Não sei se hoje houve já a chegada de alguma participação formal ao Ministério Público. Ontem [quarta-feira], ao fim da tarde, ainda não tinha dado entrada", disse Joana Marques Vidal à margem VII Congresso dos Solicitadores e dos Agentes de Execução que decorre até sábado, em Viana do Castelo.

A procuradora-geral da República adiantou que "o que existe é uma declaração pública das entidades responsáveis a dizerem que vão mandar [a participação] ao Ministério Público". "Estamos no início de qualquer investigação", frisou.

Na quarta-feira, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) remeteu para os "próximos dias" esclarecimentos sobre a possível fuga de informação relativo ao exame nacional de Português, e invoca o segredo de justiça para não avançar informações sobre o processo judicial.

"Os processos de denúncia ocorrem ocasionalmente, sendo sempre encaminhados para a IGEC (Inspeção Geral de Educação e Ciência) e para o Ministério Público que apuram responsabilidades e determinam as sanções a aplicar, quando tal se justifique. Nesta fase o processo está a entrar em fase de averiguação e estará em segredo de justiça, nada mais havendo, por ora, a declarar", lê-se num comunicado do IAVE.

O mesmo documento remete para os "próximos dias" outros esclarecimentos sobre o caso, nomeadamente no que diz respeito a "aspetos estatísticos, históricos, metodológicos, de enquadramento, suas consequências", entre outros.

O jornal Expresso teve acesso a um áudio que circulou nas redes sociais alguns dias antes do exame nacional e que revelava o que ia sair na prova e que se confirmou. Segundo o áudio, a fuga partiu da "presidente de um sindicato de professores".

Na gravação, feita por uma aluna que não se identifica, pode ouvir-se a estudante a dizer: "Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive".

"Pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão", acrescenta a aluna na gravação.

Segundo o Expresso, a situação foi denunciada ao Ministério da Educação por Miguel Bagorro, professor na Escola Secundária Luísa de Gusmão, em Lisboa, que teve conhecimento da gravação no sábado, através de um aluno a quem dava explicações de Português.

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