Petição contra o projeto da Quinta dos Ingleses a caminho do Parlamento

O movimento Independentes de Carcavelos e Parede lançou uma recolha de assinaturas online para tentar reverter a construção do empreendimento que alegam "destruir o ambiente e a faixa costeira"

Há cerca de vinte anos que a questão se coloca. Há um terreno na zona de Carcavelos, de 54 hectares, conhecido como a Quinta dos Ingleses, que tem um plano de construção desenhado desde a década de 60, mas que vem sendo adiado por questões ambientais e sociais, uma vez que fica situado numa área verde, muito perto da orla marítima (sensivelmente a 800 metros).

Porém, há quatro anos tudo mudou. A Câmara Municipal de Cascais e a Assembleia Municipal aceitaram o novo plano de pormenor previsto para aquela zona costeira e, com esta assinatura, deram ok à construção de uma megaurbanização "que promove a construção de 906 fogos, um hotel de cinco pisos, espaços comerciais e de serviços, bem como um espaço empresarial".

É contra aquilo que consideram ser a destruição do "último espaço verde significativo de toda a costa dos concelhos de Cascais, Oeiras e Lisboa" que o grupo de cidadãos "Independentes de Carcavelos e Parede" lançou na passada quarta-feira uma petição online, que já ultrapassou as 3300 assinaturas. O objetivo é chegar às 4000 para que possa ser apreciada em plenário na Assembleia da República. "Mas eu fico contente se chegarmos às 5000, para não haver dúvidas", diz Tiago Albuquerque.

Câmara de Cascais não se pronúncia sobre "iniciativas de partidos e movimentos políticos"

No texto da petição, lê-se: "Os abaixo-assinados acreditam que, caso não seja travado, o projecto vai descaracterizar toda a Costa do Estoril, colocando em risco de desaparecimento a praia de Carcavelos e acabando com o único espaço verde de considerável dimensão existente na outrora chamada Costa do Sol, perdendo-se uma oportunidade única de valorizar a mais utilizada praia do país e símbolo turístico nacional por excelência".

Contactada pelo DN, a Câmara Municipal de Cascais assume conhecer a petição, mas escusa-se a fazer comentários. "Não comentamos iniciativas de partidos e movimentos políticos, sobre assuntos que já transitaram em julgado".

Afinal, o projeto apresentado pelos promotores - a imobiliária Alves Ribeiro e a St. Julian's School Association - foi aprovado "por uma dezena de organismos para além da Câmara e da Assembleia Municipal" e não há nada na lei que permita revogá-lo. Não sem a Câmara ter de pagar uma indemnização aos proprietários dos terrenos. Ao que o DN apurou, um valor que poderá rondar os 260 milhões de euros.

Apesar dos progressos com o projeto, a verdade é que ainda não há datas concretas para começarem as obras, numa construção que deverá estender-se por 20 anos, com um investimento que poderá chegar aos 270 milhões de euros, por parte dos promotores.

Por isso mesmo, Tiago Albuquerque não desiste. "Pretendemos que sejam estudadas alternativas sérias à destruição de toda aquela área, que a mesma seja preservada ao máximo e que a população seja chamada a pronunciar-se sobre o futuro daquela zona uma vez que o processo de aprovação foi vergonhoso e não corresponde àquilo que a maior parte da população deseja, nomeadamente quanto à proteção do ambiente e da faixa costeira", defende aquele que nas últimas autárquicas se candidatou como independente à Junta de Freguesia de Carcavelos e Parede pelo movimento Também És Cascais.

"Devo acrescentar que em reação à petição pretendemos chamar à atenção do Artigo 66.ºda CRP, numa altura em que se discute tornar o direito ao ambiente um direito do Homem e que se fala tanto na protecção do ambiente, seria essencial que a CMC desse cumprimento ao artigo e não destruísse todos os espaços verdes que restam, em especial em zonas tão sensíveis com a Quinta dos Ingleses", diz ainda Tiago Albuquerque, para quem houve "falta de transparência de todo o processo" e falta de informação aos moradores da zona.

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