PSD questiona Ministério da Saúde sobre apoio psicológico no local

Deputados do partido dizem que "tem sido manifesta a insuficiência de recursos humanos no apoio psicológico às populações"

O PSD questionou esta segunda-feira o Ministério da Saúde sobre o apoio psicológico às populações afetadas pelos incêndios da semana passada na região centro, questionando se houve psicólogos retirados do local e se está previsto algum reforço.

Estas questões foram hoje dirigidas ao Ministério da Saúde por oito deputados da bancada social-democrata, num texto que tem como primeiro subscritor Marco António Costa - no mesmo dia em que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, associou alegados suicídios a um falhanço do Estado no apoio às populações afetadas pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, que matou 64 pessoas e feriu mais de 250.

Os deputados do PSD sustentam que "tem sido manifesta a insuficiência de recursos humanos no apoio psicológico às populações" e que importa esclarecer "com que apoios psicológicos podem contar as pessoas atingidas", para que estas "possam beneficiar da proteção à saúde a que têm direito", e para que "os cidadãos, em geral, recuperem a confiança no Estado que tão clamorosamente falhou no seu dever de defender vidas humanas".

Na pergunta dirigida ao Governo, os sociais-democratas questionam "qual o número de psicólogos que o Ministério da Saúde deslocou para junto das populações afetadas pelos incêndios ocorridos nos municípios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Góis", e se houve "em algum momento, a retirada de psicólogos por parte de algum organismo público".

Marco António Costa, Miguel Santos, Ângela Guerra, Luís Vales, Cristóvão Simão Ribeiro, Fátima Ramos, Isaura Pedro e José António Silva pedem ao Ministério da Saúde que indique "o número de psicólogos que se encontram presentemente ao serviço nas unidades prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde" naqueles municípios da região centro.

"Está previsto algum reforço dos profissionais referidos na pergunta anterior? Se sim, de quantos profissionais e para quando? Quantas equipas de apoio psicológico domiciliário prestarão, e a partir de que data, atendimento às pessoas afetadas pelos incêndios ocorridos nos municípios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Góis, e com que frequência e regularidade?", questionam ainda.

Hoje, em Castanheira de Pera, o presidente do PSD defendeu que "o Estado falhou" na defesa e apoio às pessoas afetadas pelos fogos e que "dez dias depois, ainda está a falhar", referindo: "Eu tenho conhecimento já de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, pessoas que em desespero se suicidaram, e que não receberam em tempo o apoio psicológico que deveria ter existido".

Passos Coelho adiantou que tinha conhecimento de pelo menos um suicídio, ocorrido na região, praticado por um familiar de pessoas que morreram no incêndio que deflagrou na semana passada em Pedrógão Grande, e se estendeu aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.

Horas mais tarde, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande e candidato do PSD àquela Câmara Municipal, João Marques, admitiu à agência Lusa ter dado uma informação errada a Passos Coelho sobre um alegado suicídio: "Admito que houve uma grande irresponsabilidade".

No texto dirigido ao Ministério da Saúde, os deputados do PSD sustentam que "tem sido manifesta a insuficiência de recursos humanos no apoio psicológico às populações", invocando declarações de responsáveis locais, "como é o caso do autarca de Pedrógão Grande" segundo as quais "diversos apoios em psicólogos terão, entretanto, sido retirados do terreno e da região".

Os sociais-democratas mencionam que o diretor-geral de Saúde afirmou "que o Serviço Nacional de Saúde tem capacidade de resposta a esta população" e que o ministro da Saúde também assegurou que "vai haver apoio domiciliário, apoio de saúde pública, apoio de cuidados de saúde primários".

"Não podendo estas declarações modificar o passado, devem as mesmas representar, ao menos, um firme e inquestionável compromisso para o futuro", consideram.

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