Paula Teixeira da Cruz com processo disciplinar pela votação no aborto

Ex-ministra da Justiça afirma não estar surpreendida e que "voltaria a fazer o mesmo"

O PSD vai avançar com um processo disciplinar a Paula Teixeira da Cruz, por a deputada não ter respeitado a disciplina de voto do partido nas alterações à lei do aborto. A antiga ministra da Justiça disse não estar surpreendida.

"Se estou arrependida? Não. Voltaria a fazer o mesmo", salientou Paula Teixeira da Cruz ao Público, reiterando o que já havia dito aquando da votação em novembro, ou seja, que arcaria com a responsabilidade da sua votação.

Paula Teixeira da Cruz votou a favor dos projetos de lei apresentados por PS, BE, PCP e PEV para revogar as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG) aprovadas na anterior legislatura por PSD e CDS-PP, divergindo assim do sentido de voto estabelecido pela sua bancada parlamentar.

"A direção do grupo parlamentar fez o que tinha a fazer. Não estou surpreendida. Sabia ao que me sujeitava, mas eu obedeço à minha consciência", referiu a deputada social-democrata, referindo ainda que "é óbvio que a imposição de disciplina parlamentar tem uma determinada consequência".

No entanto, Paula Teixeira da Cruz diz ser-lhe "absolutamente indiferente o julgamento" e que não protestou na reunião do grupo parlamentar. "Estou muito tranquila", salientou.

O Público escreve que o Conselho de Jurisdição Nacional irá decidir as consequências do processo disciplinar que a ex-ministra agora enfrenta. Mas o DN apurou que normalmente num processo destes apenas resulta numa admoestação, uma espécie de censura pública, e nada mais. "Não se pode deixar de fazer", disse um membro do grupo parlamentar, relembrando que Paula Teixeira da Cruz violou a disciplina de voto e se não sofresse a pressão do processo seria "um mau exemplo" para os restantes deputados.

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