Deputados travam acareação entre Coronel da ANPC e ex-secretário de Estado

O coronel Albino Tavares acusou o governo de ter recusado reforçar os meios de combate durante os incêndios. Foi desmentido pelo ex-secretário de Estado e agora conseguiu ser dispensado da audição parlamentar

Os deputados do CDS não queriam acreditar quando leram a troca de e-mails entre o tenente-coronel Albino Tavares, que era o coordenador das operações nos incêndios de Pedrógão e nos de outubro, e o presidente da primeira comissão do parlamento, o socialista Pedro Bacelar Vasconcelos. Quando ouviram o ex-secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, desmentir o oficial em cujas declarações à Comissão Técnica Independente (CTI) tinha acusado o governo de ter recusado um pedido de reforço de meios de combate, os centristas quiseram ouvir ambos. Albino Tavares e Jorge Gomes foram convidados para uma especie de "acareação", conforme assumiu o próprio CDS, que estava marcada para esta tarde de terça-feira.

O problema é que, sem informar os deputados, o presidente da primeira Comissão (Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) aceitou um pedido de dispensa do coronel. Na troca de e-mails, Albino Tavares, que foi entretanto nomeado pelo ministro da Administração Interna para adjunto do presidente da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), invoca a sua condição militar e questiona se pode voltar atrás na aceitação do "convite" que já tinha confirmado no passado dia 11 de abril. O e-mail é enviado pelas 10 da manhã e logo nessa tarde, às 15.30h, Bacelar Vasconcelos manifesta a sua "compreensão pelo exposto", sublinhando que cabe ao oficial "a decisão de comparecer ou não, decisão que será respeitada, seja ela qual for".

Satisfeito, Albino Tavares agradece " a abertura manifestada", sublinhando que "as declarações a produzir na comissão seriam redundantes". Lembra que já falou à CTI e assinala que "mantém na íntegra" o que disse - ou seja assume o contradição com o ex-secretário de Estado -, acrescentando também a "hipótese provável de vir a prestar declarações em instâncias judiciais". E assim solicita a sua "escusa" da audição, reiterando, ainda assim a sua " disponibilidade, caso tal seja considerado imprescindível".

E o CDS considera mesmo "imprescindível" esta audição e é isso mesmo que vai dizer na reunião desta tarde. "O tenente coronel diz que preferia escusar- se , uma vez que já disse tudo à CTI, mas diz que está disponível se a Comissão entender importante ouvi-lo - e confirma tudo o que disse. O Presidente da comissão (e bom socialista) perante isto desmarca a audição . Para o CDS é inaceitável - no mínimo a Comissão teria que se pronunciar para decidir se prescinde ou não de uma audição que foi aprovada com uma única abstenção do PS. É o que tencionamos dizer", avança o deputado Telmo Correia.

Nesta reunião estava também prevista a audição do ex-presidente da ANPC, o coronel Joaquim Leitão, demitido depois dos incêndios de outubro, mas foi cancelada, por "ausência de reposta", segundo também a informação enviada pela primeira comissão aos deputados.

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