Orgulhosamente, líder da oposição. Passos sem pressa

Líder social-democrata avisa que só haverá "compromissos" caso o PS se aproxime das ideias do PSD. E desafia António Costa para reformar sistema político e Segurança Social

Nem a virar para a esquerda nem à espera de eleições. No encerramento do 36.º Congresso do PSD, Passos Coelho garantiu que o partido "não tem pressa" para voltar ao poder e assumirá uma oposição construtiva, sem abdicar de convicções. Está assim dada a resposta aos que o acusavam de estar a fazer uma oposição pouco feroz.
O líder do PSD lançou avisos à navegação para dentro e para fora do partido. Avisou António Costa (e também o Presidente Rebelo de Sousa) de que o partido não irá virar à esquerda e que será o PS a ter de se aproximar ao centro: "Não queiram falar de compromissos de ideias se não se aproximarem de nós. Apresentamos as nossas propostas, mas não nos peçam que troquemos de convicções. As regras são claras."
Passos insistiu em convidar o PS para se sentar com o PSD em duas reformas: a da Segurança Social (para a qual desafia até "todos os partidos") e do sistema eleitoral. Sobre esta última, para a qual defende a introdução do voto preferencial e a redução do número de deputados, aproveitou para dizer que não quer eleições antecipadas: "É a altura certa para fazer esta reforma, já que não haverá eleições para a Assembleia da República nos próximos anos e eu espero que não haja."
A contar com o CDS
Apesar de estar na reserva para, no futuro, governar, garantiu que o PSD não vai deixar de apresentar propostas no Parlamento para melhorar o "presente" dos portugueses de forma a "responder aos problemas" como os da demografia, dívida, sustentabilidade da Segurança Social e do combate às desigualdades (o que mais se aproxima da prometida "social-democracia, sempre").
Na resposta a Passos, ainda na nave de Espinho, a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, disse esperar do PSD uma oposição mais construtiva" que "possa ser consubstanciada em propostas concretas, uma vez que [o PSD] se demitiu de as apresentar no Orçamento ou mesmo no Plano Nacional de Reformas".
Sobre o desafio para reformar a Segurança Social - para o qual Passos adiantou já contar com o apoio do CDS -, a dirigente socialista admitiu que o PS está "obviamente" preocupado com o problema da sua sustentabilidade. Mas, voltando a lembrar a poupança que o governo de coligação queria fazer no sistema de pensões, reafirmou: "Rejeitaremos sempre propostas que venham novamente cortar 600 milhões de euros dos nossos pensionistas. Com isso não contam com o PS."
No encerramento, o presidente do PSD aproveitou a presença na sala da líder do CDS, Assunção Cristas - que saudou no discurso -, para piscar o olho aos centristas. "Nos últimos anos, juntamente com o CDS, mostrámos ter o sentido de responsabilidade para colocar os interesses dos portugueses sempre acima das divergências partidárias. Fizemo-lo no governo, e faremos agora na oposição com certeza."
Em declarações no final, a presidente do CDS felicitou o PSD por ter demonstrado em Espinho querer ter "força, ambição e vontade de servir o país" na oposição. "O espaço político de centro-direita, para voltar a governar, tem de se tornar mais forte. Nós no CDS faremos certamente a nossa parte, e pelo que vimos o PSD está também animado para fazer a sua parte."
Passos aproveitou ainda para garantir que o PSD "não tem nenhuma querela constitucional". O partido está "disponível para a melhorar [a Constituição] no futuro" mas com uma "visão holística e aberta do que deve ser a melhoria do nosso texto constitucional" e não de forma limitada.

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