Oito autarcas dos concelhos da A41/A42 querem reunião conjunta com ministro

Os presidentes dos oito municípios por onde passam a A41 e a A42 decidiram hoje, na Maia, exigir ao Governo ser recebidos em conjunto para discutir a introdução de portagens nestas autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT).

Na reunião, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes (PSD), referiu que os autarcas foram convocados pelo Ministério das Obras Públicas para reuniões separadas ao longo de quinta feira, mas querem ser recebidos em conjunto, porque "a união faz a força".

    Na reunião de hoje, participaram os presidentes das câmaras da Maia, Valongo, Matosinhos, Paços de Ferreira, Lousada, Paredes, Penafiel e Felgueiras.

    "Queremos ser recebidos em conjunto e não em separado", afirmou Bragança Fernandes, sublinhando que os autarcas querem "diálogo" e não aceitam que só algumas autoestradas passem a ter portagens.

    O autarca da Maia referiu que só depois de ouvir as explicações do ministro das Obras Públicas, António Mendonça, as oito câmaras tomarão uma decisão conjunta sobre a introdução de portagens na A41 e A42, marcada quinta feira pelo Conselho de Ministros para 01 de Julho.

    O presidente da Câmara de Paredes, Celso Ferreira (PSD), salientou que "é uma posição de solidariedade institucional e territorial", e não partidária, dado que envolve autarcas do PS e PSD.

    Para Celso Ferreira, que não rejeita a hipótese de recurso aos tribunais para inviabilizar a intenção do Governo de introduzir portagens da A41 e A42, a decisão do Conselho de Ministros "está longe de ser irreversível".

    "Um anúncio feito sobre pressupostos errados não pode ser válido", frisou, classificando o estudo que serviu de suporte à decisão do Governo "um insulto", por nem sequer ter em conta concelhos atravessados pelas duas autoestradas, como o de Paredes.

    "Quem veio fazer o estudo com certeza veio com batedores", ironizou, reafirmando que não há alternativas às autoestradas que o Governo quer que passem a ser pagas.

    Celso Ferreira lembrou ainda que falta legislação que permita a introdução de "chips" nas matrículas das viaturas, com os quais o Governo quer cobrar as portagens.

    "O ministro disse na Assembleia da República que não tomava decisão nenhuma sem consultar os autarcas e não o fez", criticou Celso Ferreira, sublinhando, contudo, que os autarcas "não acreditam na má fé dos governantes".

    O presidente da Câmara da Maia criticou que não esteja a ser equacionada a cobrança de portagens também na Via do Infante, no Algarve, mas o autarca de Paredes defendeu que a eventual inclusão desta autoestrada na lista anunciada pelo Governo não será razão suficiente para desmobilizar a contestação no norte.

    "Não estamos a ter posições egoístas em prol da nossa região", salientou, recordando que os níveis de PIB e poder de compra do norte estão também abaixo dos critérios para a introdução de portagens.

    O presidente da Câmara de Felgueiras, Inácio Ribeiro, manifestou-se "indignado, a todos os níveis", porque a sua autarquia nunca foi ouvida sobre a introdução de portagens e os habitantes do concelho já está a pagá-las.

    Inácio Ribeiro reclamou que seja isentado de portagens o troço da A11 entre Lousada e Felgueiras, no prolongamento da A42, por este concelho não ter qualquer estrada nacional alternativa.

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