PSD ainda não decidiu se vai apresentar propostas

"Nem sequer conhecemos a proposta, quanto mais saber se pode ser sequer melhorado e minorados os seus problemas", afirmou o deputado Leitão Amaro.

O PSD ainda não decidiu se vai apresentar propostas alternativas às do Orçamento do Estado de 2018 nem se vai propor alterações no debate na especialidade, admitiu esta terça-feira o deputado social-democrata António Leitão Amaro.

"Nem sequer conhecemos a proposta de Orçamento do Estado quanto mais saber se pode ser sequer melhorado, minorados os seus problemas", afirmou aos jornalistas o deputado Leitão Amaro.

"Qualquer posição do PSD" sobre o orçamento, o PSD só dará "a resposta" no "momento certo" depois de apresentado, na próxima sexta-feira.

Questionado sobre o facto de o CDS ter apresentado propostas, na segunda-feira, António Leitão Amaro disse que os centristas têm a sua estratégia: "O que faz o CDS é decisão do CDS."

No ano passado, para o Orçamento do Estado de 2017, o PSD apresentou um conjunto de 45 propostas.

Nas declarações aos jornalistas, o deputado social-democrata apelou ao Governo do PS que entregue, no parlamento, o relatório do exercício de revisão da despesa pública, com que, disse, se comprometeu há meses, incluindo com as instituições europeias.

"Apelamos a que entregue este relatório do exercício de revisão da despesa pública", pediu o deputado, para quem é necessário o executivo "explicar onde iria reduzir a despesa para que a consolidação orçamental fosse sustentável".

O parlamentar do PSD insistiu nas críticas às opções do executivo socialista, como o aumento dos impostos indiretos e as "medidas extraordinárias", com "os cortes no investimento público, os maiores de que há memória, e uma série de cativações e cortes nos serviços do Estado".

O Orçamento do Estado de 2018 é entregue, pelo Governo, no parlamento, na sexta-feira.

Para quarta-feira à tarde está agendada a ronda de conversações do Governo com os partidos com representação parlamentar.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.