Num debate que não foi bonito, partidos questionaram caso dos offshores

Catarina Martins, do Bloco, sintetizou a parte mais crispada do debate com esta frase

Mudam-se os tempos e mudam-se os olhares: há um país que é visto de forma bem distinta pelas bancadas à esquerda e as bancadas da direita, agora em posições trocadas. Para o PSD e CDS, hoje o retrato sobre a economia é negro; para o Governo socialista, o caminho é de "crescimento económico sustentado".

Mas o debate desta quarta-feira acabou por se tornar numa guerra de trincheiras entre António Costa e Passos Coelho, naquele que foi o debate quinzenal mais crispado em ano e meio de Governo socialista, com o primeiro-ministro e o presidente do PSD a trocarem duras acusações sobre insultos de parte a parte.

A porta-voz do BE, Catarina Martins, que falou logo de seguida, deixou reparos a essas bancadas: "Não foi bonito o que se viu." E sintetizou, com um apelo: "Ninguém percebeu nada dos últimos momentos. Falemos português, falemos das pessoas."

A transferência de milhões para offshores e a supervisão bancária acabaram por ser dois temas mais presentes nas várias intervenções: o PSD para sublinhar que o Governo lida mal com a independência de reguladores financeiros, como o Conselho de Finanças Públicas e o Banco de Portugal; o PCP para defender que "é preciso apurar a extensão" do caso dos offshores; o BE a pedir que se apurem todas as responsabilidades; ou o CDS a questionar (antecipando a sua interpelação de amanhã ao Governo) qual o modelo para a supervisão bancária que o executivo socialista defende.

No final, a espuma dos dias veio ao de cima - e deste debate restará uma memória de insultos e de uma crispação cada vez mais intensa entre Costa e Passos, que é como quem diz entre PS/Governo e o PSD.

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