Nóvoa acusa Marcelo de fazer "o 'show' de uma campanha vazia"

Candidato acusa "taticismo" e "calculismo" de ex-líder do PSD. Também Lacão diz que Rebelo de Sousa "não inspira confiança bastante"

António Sampaio da Nóvoa acusou Marcelo Rebelo de Sousa de andar a fazer "o 'show' de uma campanha vazia", por mero "taticismo" e "calculismo", demonstrando mesmo "ingratidão" para com os apoios do PSD e do PS à candidatura do antigo líder social-democrata.

Falando esta quinta-feira em Abrantes, num almoço-comício que contou com a presença de deputados e autarcas socialistas, Nóvoa disse que "se é normal que o papel dos partidos seja diferente" nestas eleições presidenciais, "porque votamos em nomes e não em partidos", já não é normal que um candidato peça "às pessoas do partido do qual foi presidente 'por favor não apareçam', 'por favor, não estejam ao meu lado", atirou o antigo reitor da Universidade de Lisboa, referindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa.

"É o calculismo e taticismo de uma certa forma de fazer política levada ao extremo. É a ingratidão de quem, precisando das pessoas que sempre estiveram ao seu lado, as descarta para não estragar o 'show' de uma campanha vazia", completou.

Nóvoa recordou que anunciou a sua candidatura "sem esperar por qualquer decisão partidária e sem estar a fazer cálculos aos resultados das legislativas". E acrescentou: "Para eles, uma candidatura que não venha para deixar tudo na mesma é uma ameaça. Por isso nós trazemos o civismo contra o cinismo. Participação contra a arrogância daqueles que se acham donos disto tudo."

A Constituição como "moeda de troca"

O vice-presidente da Assembleia da República, o socialista Jorge Lacão, afirmou que Marcelo Rebelo de Sousa "não inspira confiança bastante" para Presidente da República. E para o sustentar recordou um episódio em 1997, quando Marcelo era presidente do PSD e Lacão liderava a bancada do PS no Parlamento.

Em causa estava uma revisão constitucional que, segundo Lacão, Marcelo queria resolver "em 15 dias numa sala de hotel" entre dois "comités", um social-democrata, outro socialista, e propondo então ao governo de António Guterres mexer na Constituição com a promessa de que o PSD viabilizaria os orçamentos. Alguém que usa a Lei Fundamental como "moeda de troca", para o dirigente do PS, "não inspira confiança bastante".

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