Novas 'Glock' com coldres traiçoeiros

Coldres das pistolas de 9 mm activam e desactivam patilha de segurança colocando vidas em risco.

Das 50 mil pistolas Glock 19 que o Governo está a distribuir de forma faseada pelas forças de segurança não chegam a dez mil as que estão equipadas com coldres adequados a este tipo de arma. A denúncia é feita ao DN por dois dirigentes sindicais que representam a PSP e a GNR e, segundo os quais, este desajuste entre a arma e o coldre pode colocar em risco a vida dos agentes/militares ou a de terceiros. Já os porta-vozes das duas forças de segurança garantem que "esta é uma falsa questão" e que todos os testes realizados garantem a eficácia dos coldres.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, e o coordenador da Associação dos Profissionais da Guarda (APG) da Região Norte, Paulo Maciel, garantem que apenas as armas distribuídas numa primeira fase - não chegaram a dez mil - estão equipadas com coldres adequados ao bom manuseamento das Glock  9 mm. "Todas as outras que já foram distribuídas no decorrer do segundo concurso [realizado no início do segundo semestre de 2009] não têm coldres adequados", frisou Paulo Maciel.

Esta incompatibilidade entre arma e coldre existe a vários níveis, nomeadamente, no que toca à alteração da patilha de segurança da pistola quando é sacada ou introduzida. "Ao colocar ou retirar a arma do coldre que não é próprio, a patilha de segurança é accionada, deixando o agente sem saber em que condições se encontra a pistola", refere Paulo Rodrigues, especificando o que acontece.

"O que está a suceder com os novos coldres é que o agente pode introduzir a arma em posição de segurança e ao retirá-la, e devido a uma anomalia nos coldres, ela encontra-se em posição de fogo. Ou o contrário", explica aquele responsável, acrescentando que "em situações em que o agente tem de decidir, numa fracção de segundos, se usa ou não a arma, não pode deparar-se com este problema de não saber em que condições está a o equipamento. O normal é introduzir a arma numa posição e retirá-la na mesma posição". Se isto não acontecer, a vida humana pode correr risco. Embora até à data não sejam conhecidas vítimas, Paulo Rodrigues diz que "há que evitar que tal venha aconteça".

Ao DN, o comissário e porta-voz da PSP, Paulo Flor, garante que quer os dez mil coldres de marca Safariland (fabrico americano) quer os 42 mil da marca Radar  (fabrico italiano) existentes na PSP para armas de 9 mm foram sujeitos "a um rigoroso conjunto de testes que permitiram aferir a viabilidade operacional do seu uso". No entanto, a PSP "tem conhecimento residual de algumas situações em testes/exercícios com a arma Glock 19, e que, no caso da arma estar carregada com a munição na câmara e a patilha de segurança activada, é mais difícil sacar a arma do coldre".

E é aqui que o coordenador da APG põe o dedo na ferida. Segundo Paulo Maciel, "nos coldres distribuídos numa segunda fase não é possível introduzir ou retirar a arma sem fazer um esforço que não se faz quando o coldre é o indicado. Isto implica perder segundos que podem ser cruciais".

Ao que o DN apurou, os coldres distribuídos numa primeira fase e com os quais as forças de segurança estão satisfeitos são da marca Safariland. Os adquiridos aquando do segundo concurso e que irão suportar mais de 40 mil das 50 mil Glock a distribuir pelas polícias pertencem à Radar. Junto dos sindicatos correm rumores que os coldres Radar que entraram em vários países europeus tiveram de ser substituídos porque quebravam devido à sua fraca resistência.

Ambos os sindicalistas consideram que isso poderá vir a acontecer em Portugal devido à "política economicista do Governo em relação ao equipamento das forças de segurança". É que enquanto os coldres Safariland rondam os 50 euros, os Radar  custam cerca de 30. Numa chamada de atenção aos governantes, Paulo Rodrigues e Paulo Maciel dizem que há material no qual não se pode olhar a custos, porque a falta de qualidade poderá ceifar vidas humanas.

Para o porta-voz da GNR, coronel Costa Lima, "esta é uma falsa questão", pois "os coldres actualmente distribuídos à Guarda para utilização com as pistolas Glock 19 correspondem às exigências para o fim a que se destinam".

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