Nenhum partido pede a demissão da ministra

A ministra da Administração Interna disse que tirará as "devidas ilações" se a comissão de peritos apontar falhas suas

Nenhum partido político assume para já um pedido de demissão direto da ministra da Administração Interna. Constança Urbano de Sousa disse, em entrevista ao DN, que tiraria "as devidas ilações" caso a comissão de peritos independentes que vai investigar o incêndio de Pedrógão Grande, que provocou pelo menos 64 mortos, conclua que houve falha dos serviços que tutela. Todos os partidos exigem respostas para a tragédia, mas nem a oposição do PSD e do CDS pedem a cabeça da governante que tutela entidades com responsabilidade na coordenação da prevenção e combate dos fogos.
Para Pedro Passos Coelho "não vale a pena vir acenar com a caça às bruxas (uma expressão utilizada pela ministra na entrevista) , não vale a pena sacudir a água do capote, não vale a pena desdramatizar. Hoje sabemos que alguma coisa não correu bem para acontecer o que aconteceu e, portanto, não devíamos desdramatizar na altura, como não podemos desdramatizar agora". Para o líder do PSD, "quem exerce funções públicas não só deve estar à disposição dos outros, como deve fazer tudo ao seu alcance para que os poderes públicos possam funcionar, mesmo que em circunstâncias muito adversas ou imprevistas".
Nuno Magalhães, presidente da bancada do CDS, recorda que o seu partido fez "26 perguntas muito concretas" à ministra "e espera 25 respostas concretas e rápidas". Aproveita para dar um "conselho" a Constança Urbano de Sousa: "que dê menos entrevistas a dizer que fez perguntas e que procure e dê mais respostas! Se continuamos assim, com o primeiro-ministro a perguntar à ministra, esta a perguntar ao secretário-geral do MAI, este à empresa SIRESP, mais um pouco e ainda vai ser o cabo da GNR ou o bombeiro de Pedrógão a ter que dar respostas ao governo...".
O PS destaca, da leitura da entrevista, "a reafirmação da disponibilidade do governo de colaborar em todos os processos de averiguação e avaliação integral de todos os procedimentos que estiveram em causa na tragédia de Pedrógão Grande". O deputado Jorge Lacão, designado porta-voz para os incêndios, sublinha que essa "disponibilidade de colaboração" se estende à comissão de peritos independente que a Assembleia da República "deverá, como se prevê, criar". Concluiu sublinhando o "alerta" deixado pela governante "e que também já tinha sido lançado pelo primeiro-ministro, de que não nos podemos esquecer que há um desafio enorme pela frente que é o da reforma das florestas".
O secretário-geral do PCP recusou "julgamentos prévios" de responsabilidades acerca do incêndio de Pedrógão Grande, defendendo a prioridade no auxílio às populações e uma investigação da qual resultará, "com certeza, uma apreciação política". "O importante é fazer a averiguação, a investigação, e daí resultará com certeza uma apreciação política das causas e dos responsáveis. A própria ministra admite fazer a avaliação do resultado dessas investigações", declarou Jerónimo de Sousa, à saída da reunião do Comité Central.
O BE não quis acrescentar "nada mais" em relação ao que a sua coordenadora tinha afirmado no sábado. Catarina Martins quer que a Proteção Civil apresente, até ao fim do mês, um "programa de emergência" que tire "consequências do que correu mal na tragédia de Pedrógão Grande", corrija erros identificados e responda à sua missão no verão.

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