Esquerda não defendeu Governo, só atacou Cristas e Passos

Debate ficou marcado pela recusa dos partidos à esquerda do PS em elogiarem a conduta governamental

O debate da moção de censura apresentada pelo CDS ao Governo terminou como se previa, com a iniciativa chumbada pelos votos conjugados do PS, BE, PCP, PEV e PAN, votando a favor apenas os proponentes e o PSD.

O que ficou para a história deste debate foi uma recusa permanente dos partidos à esquerda do PS em pronunciarem o mais leve elogio à conduta governamental. Preferiram antes atacarem duramente a líder do CDS, Assunção Cristas, pelo que que fez enquanto ministra da Agricultura (2011-2015) e criticar a oportunidade da iniciativa centrista.

Para o PCP, a moção de censura representou, da parte do CDS, um "aproveitamento inqualificável da tragédia", segundo afirmou o líder da bancada comunista, João Oliveira. Os comunistas aproveitaram também para um solene aviso ao Governo: o reforço de verbas no OE 2018 para a prevenção e combate aos fogos não pode implicar redução de verbas para as políticas de "reposição de rendimentos". Não pode ser "uma nova troika", explicitou António Filipe.

Através de Catarina Martins, o Bloco de Esquerda também colocou na oportunidade da moção do CDS - anunciada no primeiro dia do luto nacional pelos mortos de 15 e 16 deste mês - a justificação para se "demarcar em absoluto" da iniciativa centrista. E logo a seguir criticou o Governo, que "tem muito que responder". "Como pôde o Governo estar tão impreparado?", perguntou a líder bloquista, exigindo ainda que o Estado tome conta a 100% no SIRESP (e não só a 54%, como ontem o Governo anunciou).

O CDS, autor da moção, apresentou-se no debate insistindo na responsabilização direta do primeiro-ministro - mas sublinhando ao mesmo tempo ter muitas propostas para apresentar e estar disponível para as discutir com o Governo e o PS. Assunção Cristas deixou-se, por vezes, colocar à defesa, defendendo o seu consulado enquanto ministra da Agricultura, nomeadamente negando ter liberalizado a plantação de eucapliptos.

A surpresa do debate acabou por ser o regresso às intervenções de Luís Montenegro. O ex-líder parlamentar fez um discurso que arrebatou a sua bancada. Mereceu por isso aplausos de pé - coisa que os deputados sociais-democratas não fizeram quando falou o atual chefe da bancada, Hugo Soares.

Grande "bombo da festa" foi a ex-ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, que assistiu ao debate sentada na bancada parlamentar do PS, agora que assumiu o mandato de deputada. Um deputado do PSD chegou a dizer que a ministra, depois de Pedrógão, ficou "descontrolada" e perguntou ao primeiro-ministro porque não a removeu logo do Governo. António Costa não respondeu.

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