Fechar o Barrio Latino? Ministro não fala "sobre questões concretas"

Ministro assegura que autoridades estão a trabalhar com autarquia no caso de segurança morto

O ministro da Administração Interna assegurou hoje que o Governo está a trabalhar com a Câmara de Lisboa e as forças de segurança, de forma "concertada", no caso da discoteca Barrio Latino, onde um segurança foi morto a tiro.

"Dentro do acompanhamento das questões de segurança em todo país, mas designadamente em Lisboa, estamos a trabalhar com o senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa e com as forças de segurança", afirmou Eduardo Cabrita.

Um segurança, de 42 anos, morreu no sábado no Hospital de São José, em Lisboa, depois de ter sido baleado na cabeça numa discoteca da capital.

Manifestamente tem havido intervenção, tem havido ação, ela está concertada e terão conhecimento das intervenções operacionais necessárias no momento próprio

Questionado sobre se o Governo pondera encerrar o Barrio Latino, como fez com a discoteca Urban, que esteve envolta em polémica há cerca de um mês por agressões de seguranças a dois jovens nas imediações do espaço, o ministro respondeu que não se pode "pronunciar sobre questões concretas".

Distúrbios com armas e droga já se repetiram na discoteca. Segurança não deixou entrar grupo que tinha causado desacatos

A Câmara de Lisboa anunciou numa nota que vai restringir o horário da discoteca Barrio Latino, após um pedido da PSP e de ter constatado irregularidades.

"A Câmara Municipal de Lisboa informa que o estabelecimento Barrio Latino tem em curso várias contra-ordenações, de autos de notícias elaborados após fiscalização da Polícia Municipal, e tem um pedido de restrição de atividade, para limitar o horário de funcionamento, por parte da PSP, por perturbação da tranquilidade pública.

A Câmara Municipal de Lisboa informa que irá proceder à restrição de horário solicitada pela PSP, como aliás sempre o fez, e apoiará outras decisões que possam ser exercidas pelas autoridades nacionais, por razões de segurança interna, como aconteceu recentemente no encerramento do Urban, por decisão do MAI, com medida de polícia de encerramento, nos termos do art 48 do Decreto-lei 316/95 de 28 de novembro."

PSP já fez vários pedidos para a Barrio Latino ser encerrada

A Polícia de Segurança Pública de Lisboa já fez vários pedidos à Câmara Municipal de Lisboa para que esta retirasse a licença à discoteca Barrio Latino, onde um segurança foi ferido mortalmente pelas 13.00 desta sexta-feira.

Segundo as informações recolhidas pelo DN junto de fontes policiais, as autoridades têm levantado vários autos devido a distúrbios relacionados com armas e droga no estabelecimento e tem entregue na autarquia diversos pedidos fundamentados para que o espaço seja encerrado. Um dos problemas para o qual a PSP alertou passa pelo facto de haver poucos elementos da segurança para a lotação da Barrio Latino, que pode chegar às 600 pessoas.

Nuno Cardoso, o segurança que morreu após ser atingido por um tiro na cabeça, era um "apaziguador" que "adorava ser segurança", segundo a descrição que o tio fez em declarações aos vários canais de televisão. O funcionário da empresa LB - Segurança - de 42 anos e que deixa dois filhos menores - foi atingido a tiro por um jovem que ele teria impedido de entrar na discoteca pouco antes. Foi ferido quando, segundo o familiar, se dirigia para o carro, após terminar o horário de trabalho.

O presumível autor do único disparo terá ido buscar a arma a um automóvel que também estava no parque desta discoteca, situada na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, na zona de Santos, e depois terá saído do local a pé, pela linha do comboio que faz a ligação entre Cascais e Lisboa. À hora de fecho desta edição as autoridades estavam a tentar localizá-lo. Segundo declarações do tio do segurança, os colegas do sobrinho sabiam que o agressor era do "bairro Padre Cruz" [freguesia de Carnide, Lisboa].

Pedindo para não ser identificado, o familiar de Nuno Cardoso adiantou que os amigos "ficaram mais preocupados em socorrer o Nuno" do que em perseguir o atirador. O mesmo familiar lembrou ainda que o sobrinho era uma "espécie de apaziguador dentro dos bares. Não andava à porrada, conversava com os miúdos e acalmava os gajos, mas quando era preciso dar um piparote dava".

Amigos levam-no para hospital

A Polícia de Segurança Pública foi chamada ao local, mas quando os agentes chegaram não encontraram nem a vítima nem o suspeito da autoria do disparo.

O segurança já tinha sido transportado para o hospital de S. José num carro particular, tendo o óbito sido declarado após a chegada àquela unidade. E o alegado atirador tinha fugido. A PSP recolheu as provas no local e identificou as pessoas que levaram Nuno Cardoso aos hospital, tendo depois o caso passado para a alçada da Polícia Judiciária, que prosseguiu as investigações na tentativa de encontrar o autor do disparo, como confirmou ao DN fonte oficial da Judiciária.

Segundo contou ao DN Fernando Pinto, um dos colaboradores da discoteca Barrio Latino, os problemas começaram quando um grupo "armou confusão dentro da discoteca. Saíram de lá sem problemas e depois uns foram impedidos de entrar". "Na rua desentenderam-se por palavras e um foi buscar a arma ao carro", acrescentou. As desavenças terão acontecido já numa fase em que a discoteca estava a encerrar, pois a sua licença é válida até às 13.00. Estava a terminar uma festa de música africana que tinha começado às 23.00 de quinta-feira.

De acordo com Fernando Pinto, a Barrio Latino deveria abrir pelas 23.00 como normalmente, até porque o tiroteio foi no exterior.

O DN contactou a empresa LB Segurança, mas não foi possível chegar à fala com os seus responsáveis.

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