Milhares de taxistas pararam Lisboa e Porto contra a Uber

Tribunal aceitou providência cautelar contra a start-up tecnológica em abril, mas a atividade da app que liga motoristas particulares a clientes mantém-se, denuncia a ANTRAL.

Um total de quatro mil táxis participaram num protesto em três cidades: Lisboa, Porto e Faro. Em marcha lenta os profissionais mostraram a sua indignação pela continuação da atividade da Uber em Portugal, "contrariando as ordens do tribunal" que, em abril, aceitou a providência cautelar interposta pelos taxistas contra a app de origem norte-americana que coloca passageiros em contacto com motoristas particulares.

Florêncio Almeida, presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) garantiu que a Uber "continua a trabalhar da mesma forma", pelo que a manifestação dos taxistas visou "alertar para a violação da lei" e protestar contra a "inação dos fiscalizadores e dos governantes".

Em Lisboa, os taxistas partiram do Parque das Nações, pelas 9.30, dirigindo-se primeiro ao aeroporto - uma das zonas onde a Uber atuará mais intensamente e onde a caravana de taxistas parou durante cerca de uma hora. Depois, passaram junto ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), onde foram registados alguns momentos de tensão entre taxistas que aderiram ao protesto e os que estão a trabalhar. Na zona do IMT, um fotógrafo foi agredido e travado por alguns taxistas, depois de ter fotografado um motorista que se encontrava em serviço a ser atingido por um ovo. O motorista atingido saiu do carro e envolveu-se em confrontos físicos com outros motoristas. Quando o repórter fotográfico se aproximou foi agredido com dois murros.

"O que ficou combinado em reuniões da ANTRAL com os responsáveis das diversas centrais e as autoridades policiais foi que este seria um protesto pacífico e de gente de bem", assegurou José Monteiro, vice-presidente da ANTRAL, que encabeçou o cortejo no Porto, onde os taxistas se mantiveram indiferentes a gestos insultuosos de condutores de viaturas topo de gama que foram passando. Na Invicta, e tal como sucedeu em Lisboa, os profissionais pararam cerca de uma hora junto ao aeroporto, havendo apenas a registar troca de palavras violentas entre manifestantes e colegas que trabalhavam.

Tal como em Lisboa, toda a cidade do Porto sentiu os efeitos do protesto, não só nas dificuldades geradas no trânsito como também na ausência de táxis para quem precisasse. "O transporte legal é universal" era precisamente um entre dezenas de slogans afixados nos táxis. A inspeção periódica semestral, o pagamento especial por conta, a contabilidade organizada, o certificado de aptidão profissional, o taxímetro (e a aferição anual do mesmo), o extintor de incêndio, a higiene e saúde no trabalho e o registo criminal limpo eram algumas das obrigações impostas aos taxistas exibidas também em cartazes que ilustram as diferenças em relação aos motoristas da Uber. "A nossa capacidade de mobilização ilustra a força e a revolta do setor, sendo um alerta para o governo, para que faça cumprir o que os tribunais decidiram: que a Uber é ilegal em Portugal", comentou José Monteiro, em jeito de balanço.

O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse entender os protestos dos taxistas contra a Uber e que o serviço seja encarado como uma "ameaça", sublinhando que deve ter regras próprias e ser enquadrado, estando Portugal a aguardar as conclusões de um grupo de trabalho europeu nesse sentido. No que respeita ao cumprimento da decisão do tribunal, o ministro não se quis pronunciar.

A Uber assegurou que "em Portugal opera inteiramente de acordo com a legislação em vigor, com parceiros licenciados que pagam impostos em cada viagem realizada na plataforma".

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