Miguel Urbán faz Convenção fervilhar: "Vim buscar amigas e amigos para mudar a Europa"

Eurodeputado põe militantes bloquistas de pé ao dizer que vitória do Podemos/Esquerda Unida significa uma Península Ibérica "contra a troika". "Sí, se puede!", ouviu-se em Lisboa

Foi o primeiro momento de apoteose na X Convenção do Bloco de Esquerda. O eurodeputado Miguel Urbán aproveitou o dia de reflexão em Espanha - este domingo há legislativas do lado de lá da fronteira - e veio a Lisboa pôr os militantes bloquistas de pé. Prometeu que se a coligação Unidos Podemos vencer o sufrágio a central nuclear de Almaraz será fechada e garantiu que o triunfo da esquerda espanhola será também uma conquista portuguesa.

A frase "Sí, se puede" foi ouvida em uníssono no início e no fim da intervenção, tal como já tinha acontecido quando o líder do Podemos, Pablo Iglesias, se juntou a Marisa Matias na campanha para as presidenciais de janeiro, e o registo foi igualmente mobilizador. Urbán disse querer ganhar as eleições para que se consume uma "mudança na Península Ibérica e na Europa" e para que se constitua entre Portugal e Espanha uma espécie de "frente contra a troika". "Sabemos que as portuguesas e os portugueses vão estar connosco", para mais à frente reforçar: "Vim buscar amigas e amigos para mudar a Europa."

O discurso, esse, foi violentíssimo para com as instituições comunitárias. "A Europa que estamos a enfrentar deu golpes de estado sem necessidade de tanques", atirou Urbán, referindo que bastaram os bancos e as medidas de ajustamento impostas aos povos do sul da Europa para que isso se verificasse.

"Essa Europa não a queremos", acrescentou o eurodeputado. Urbán criticou igualmente as medidas da União Europeia (acordadas com a Turquia) para conter o fluxo de refugiados, que, para si, transformaram o Mediterrâneo "numa imensa vala comum", defendendo em contraponto a criação de um "corredor humanitário". "Queremos uma Europa do poder popular, uma Europa que recupere o antifascismo", sublinhou.

Quem não foi poupado foram os socialistas europeus, sobretudo pela reforma laboral em França, à qual também colou Pedro Sánchez. "Vamos tirar-lhes a palavra socialismo."

A rematar, Urbán não esqueceu a Grécia e o governo chefiado por Alexis Tsipras e lançou um aviso aos restantes estados-membros da UE e a Bruxelas: "A partir de domingo, não será mais uma luta de um David contra 27 Golias."

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