Melhoria do rating pode ser decisão "de horas ou de semanas", diz Marcelo

"Vamos esperar para ver", disse o chefe de Estado. E acrescentou que agora não se pode "adormecer à sombra da bananeira"

O Presidente da República considerou esta sexta-feira que a melhoria do rating da dívida portuguesa, na sequência do encerramento formal do Procedimento por Défice Excessivo (PED) a Portugal, pode ser uma decisão "de horas ou de semanas".

"Vamos ver. Uma coisa é aquilo que nós achamos normal e desejamos, outra coisa é aquilo que vamos esperar para ver se já pode ocorrer dentro de horas, ou ocorrerá dentro de semanas", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final de uma visita à associação Abraço, em Lisboa.

Questionado novamente sobre a expectativa de uma melhoria do rating, o chefe de Estado reiterou: "Vamos esperar para ver. Não vale a pena estar a formular juízos antes de ver a decisão das agências que pode ser, como eu disse, de horas ou de semanas, quando muito de escassos meses".

O Presidente saudou ainda o anterior e o atual governos pelo encerramento do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), mas advertiu que "não se pode agora" cometer o erro de "adormecer à sombra da bananeira".

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa "é compreensível que haja o cumprimento de promessas governativas e até de entendimentos existentes na maioria parlamentar de apoio" no Orçamento do Estado para 2018, que se traduzam "num desafogo fiscal e nalgumas vantagens sociais para um número considerável de portugueses".

O chefe de Estado acrescentou, contudo: "Não se pode agora fazer aquilo que muitas vezes é um erro nacional que é adormecer à sombra da bananeira, considerar que está adquirido o que demorou cinco anos e meio a obter e, por uma precipitação, por um excesso, por uma falta de linha orientadora, questionar aquilo que é fundamental".

O Presidente da República ressalvou que "o primeiro-ministro tem dito isso, e o ministro das Finanças tem dito isso", que "há um caminho a continuar, e esse caminho é, sem dúvida, crescimento da economia, emprego, justiça social", mas com "controlo do défice e, sobretudo, redução progressiva da dívida pública - isso é muito importante".

"Agora, não se pode passar de oito para oitenta, sob pena de comprometer aquilo que é um caminho que deu muito trabalho, não foi ao Governo A ou ao Governo B - que eu cumprimento, aliás, os dois governos, cada qual, à sua maneira, teve mérito -, mas foi sobretudo mérito das portuguesas e dos portugueses", reforçou.

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