Médicos de família vão controlar idas de utentes às urgências

Projeto-piloto arrancou na região Norte e contempla outras medidas, como dotar os centros com material para análises. O objetivo é aumentar a sua capacidade e proteger os hospitais

Os médicos de família vão saber quantas vezes os seus utentes foram às urgências de um hospital, a que horas, se se tratava de uma situação grave ou não e se antes procuraram assistência no centro de saúde e se este foi capaz de lhes dar resposta. A medida já está em teste na região Norte e faz parte do projeto SNS +Proximidade, que envolve outras iniciativas como centros de saúde capazes de fazer análises ou vias diretas com os hospitais para cuidados especializados sem que os utentes encaminhados tenham de passar pelas urgências.

Chama-se SNS +Monitor e está em vigor desde 22 de junho, com o início do projeto SNS +Proximidade na região Norte. A iniciativa abrange 660 mil utentes inscritos nos agrupamentos de centros de saúde (ACES) de Gondomar, Porto Ocidental, Matosinhos e Barcelos. Pessoas com doenças crónicas, com mais de um problema de saúde, com planos individuais de cuidados desenhados em parceria com os médicos de família de forma a estabelecer os objetivos que permitam melhorar a sua saúde.

"O projeto vai permitir ao médico de família saber quais os utentes que vão mais vezes às urgências, a que horas foi, a cor da pulseira atribuída na triagem, se no mesmo dia foi ao centro de saúde para se perceber se é um sobreutilizador. Entre as primeiras coisas a avaliar é se conseguiu uma consulta aberta no centro de saúde e quanto tempo esperou após o pedido da mesma. Interessa saber se está a seguir o plano individual de cuidados, se foi ou não às consultas da especialidade. O que se pretende é ter toda a informação do percurso do doente", explica Constantino Sakellarides, consultor do Ministério da Saúde e responsável pelo projeto SNS +Proximidade.
No final de 2018 pretende-se que exista um retrato completo destes utentes. Para já o trabalho parte do retrato colhido em maio, que mostrava que nessa altura os 660 mil utentes estavam distribuídos por 433 médicos de família dos quatro ACES e foram responsáveis por 7803 episódios de urgências. No mesmo período realizaram-se 118 547 consultas de medicina geral e familiar nestes centros de saúde.

O projeto piloto tem uma outra componente que começou a ser testada na mesma altura e que envolve os quatro ACES e os hospitais de Santo António, Pedro Hispano e Barcelos, as unidades de referência geográfica. O que se pretende, explica Sakellarides, "é aumentar a capacidade dos centros de saúde para darem resposta e conforto aos utentes e proteger as urgências" de situações que não precisam de cuidados diferenciados. Casos das pulseiras verdes e azuis, que no ano passado representaram 40,7% dos 6,4 milhões de episódios de urgências. "O importante é permitir que o doente vá à consulta aberta no centro de saúde perante uma situação aguda. Existem várias modalidades a serem experimentadas. Se precisar de análises, o sangue é colhido no centro de saúde que o envia ao laboratório do hospital ou a laboratório convencionado se este for mais perto. O objetivo é que a pessoa tenha resposta no mesmo período de tempo que teria se tivesse ido ao hospital. Pode aguardar no centro de saúde pelos resultados ou ir para casa e o médico entra posteriormente em contacto para dar os resultados e seguimento, se for caso disso", explica.

No início do próximo ano serão lançados projetos semelhantes nas restantes administrações regionais de saúde: Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. "A previsão é que sejam abrangidos 1,5 milhões de utentes. A região Norte foi a primeira a ser escolhida porque é onde a cobertura de médicos de família está praticamente completa. Sem a base dos cuidados de saúde primários não é possível testar o projeto", salienta Constantino Sakellarides.

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