Martins da Cruz: "Portugal não tem alternativas à Europa"

Embaixador defende que o país tem de valorizar na Europa "os outros eixos da nossa política externa, sobretudo o vetor africano"

O embaixador António Martins da Cruz defendeu, esta quinta-feira de manhã, que Portugal não tem alternativas à Europa. "Nós não temos alternativas à Europa, Portugal está e tem que estar na União Europeia" (UE), apontou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, na conferência do DN sobre "Que Europa queremos?", que decorre hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Portugal depende no plano político, económico, social. "Enquanto existir a UE, e já agora o euro que conhecemos, não temos alternativas nem opções válidas", apontou o embaixador.

Segundo Martins da Cruz, este facto não deve fazer perder de vista aquilo que é chamada vocação atlântica do país e o país vizinho. Como avisou na sua intervenção, "vem aí uma Europa a várias velocidades". "Provavelmente não poderemos estar em todos o núcleos duros, por razões financeiras, económicas e não excluo que, uma vez ou outra, por opções políticas", mas o país tem "de ser assertivo em Bruxelas", aproveitar "visibilidades", como a eleição de Mário Centeno para presidir ao Eurogrupo, na linha das escolhas anteriores de Durão Barroso e Vítor Constâncio.

Portugal deve "saber ser parte ativa dos equilíbrios europeus, foi sempre uma preocupação, eu diria mesmo um êxito, da diplomacia portuguesa", notou o embaixador. Mas também deve "valorizar, saber valorizar na Europa os outros eixos da nossa política externa, sobretudo o vetor africano". E citando Victor Cunha Rego, antigo diretor do DN e que foi também embaixador em Madrid, "a Espanha é, ou deve ser, a nossa política externa permanente". Sabendo "manter a nossa diferenciação na perceção dos decisores de Bruxelas e do mundo", defendeu Martins da Cruz.

Na parte inicial, o embaixador não deixou de apontar o dedo a uma Europa que, com o diagnóstico feito, da necessidade de ser resgatada, tem "falta de vontade e também de identidade e oportunidade política" para iniciar esse seu resgate.

Leia aqui na íntegra a intervenção de António Martins da Cruz.

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